Curitiba - O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) decidiu posicionar-se contra a criação de novos pedágios no Paraná. A decisão foi tomada em uma reunião realizada ontem em Foz do Iguaçu. Segundo o presidente da entidade Luiz Antonio Rossafa, o modelo de pedágio adotado no Brasil equivale a uma bitributação, uma vez que já existem impostos e contribuições cuja arrecadação deveria ser destinada à manutenção da malha viária.
Rossafa também levantou dúvidas sobre os aspectos técnicos do modelo de pedágio implantado no país. ''Há uma série de questionamentos acerca da escolha das rodovias pedagiadas, a distância entre praças de pedágios e outros pontos que serão analisadas agora por uma comissão montada pelo Crea, que tem competência técnica para abordar esses assuntos'', destacou Rossafa.
Segundo o presidente do Crea-PR, a intenção do governo federal de criar novos pedágios em rodovias federais acelerou a discussão do tema junto ao conselho. ''É preocupante principalmente o fato de três novas rodovias do Paraná estarem nos planos do governo federal para terem suas concessões privatizadas. Não há a necessidade do Estado sair na frente em número de quilômetros pedagiados, muito pelo contrário'', comentou Rossafa. O Paraná e o Rio Grande do Sul são os estados com o maior trecho de malha pedagiada.
Rossafa argumenta que a manutenção da malha é uma obrigação do governo federal, e que quanto maior o trecho privatizado no Paraná, maior serão as perdas. Uma das atitudes do Crea-PR para barrar a criação de novas praças de pedágio no Paraná deve ser encaminhar uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a anulação das audiências públicas realizadas pelo Ministério dos Transportes para explicar o modelo de pedágio a ser adotado em licitações futuras. ''Vamos seguir o exemplo do Crea-SC, que pediu a anulação das audiências porque elas foram realizadas em Brasília. Ora, uma audiência pública deve ser feita com a participação da população que será afetada, e não apenas para os que vão se beneficiar com a obra'', salientou Rossafa.

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