A Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Paraná divulgou nota ontem contestando as declarações do governo do Estado, também divulgadas em comunicado oficial, de que a secretaria de Segurança Pública está trabalhando para resolver rapidamente os casos envolvendo sem-terra no Estado. ‘‘Apesar das declarações de que os casos vêm sendo rigorosamente apurados para identificação e punição dos culpados, tememos que aconteça o que ocorreu com os outros episódios de violência contra os trabalhadores no Paranᒒ.
De acordo com a nota da CPT, dos 57 assassinatos ocorridos desde 1980 - incluindo também outros governos - nenhum culpado ou mandante foi punido. A CPT afirma ainda que quando as acusações são contra os sem-terra, os processos são céleres e as prisões acontecem ‘‘sem nenhuma prova concreta’’. Segundo a CPT, durante o mandato do governador Jaime Lerner (PFL). foram presos 121 trabalhadores sem terra.
A nota contesta as declarações de indignação de Lerner que, em comunicado anteontem à noite, disse estranhar o posicionamento do Ministério da Justiça que não consultou o governo e determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar a morte de Eduardo Anghinoni e a denúncia de tortura contra Seno Staats, do MST no Sudoeste. ‘‘A audiência entre o governador, a bancada ruralista e o ministro da Justiça era mais idônea do que a ocorrida com o ministro, líderes da CPT, padres e advogados?’, questiona a CPT. ‘‘Só a Justiça e a reforma agrária podem pôr fim a tanta violência contra os cidadãos paranaenses que buscam a terra para viver e trabalhar’’, finaliza a CPT.

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