Curitiba - Os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado concluíram, com base nos depoimentos de ontem, que há uma relação significativa entre o Brasil e o Paraguai na evasão de divisas para o exterior. A informação é do relator da CPMI, deputado federal José Mentor (PT-SP). As remessas passavam por bancos e casas de câmbio.
A CPMI voltou ontem a Curitiba para ouvir novos depoimentos, que começaram às 9h30 e só terminaram por volta das 19 horas, no Plenarinho da Assembléia Legislativa. A CPMI foi criada no ano passado pelo Congresso Nacional para investigar as responsabilidades na evasão de divisas a paraísos fiscais. A comissão investiga o suposto envio de US$ 30 bilhões para o exterior entre 1996 e 2002, através de contas CC-5, para não-residentes. De acordo com José Mentor, a CPI talvez retorne ao Paraná. Ainda não está decidido, segundo Mentor, se o doleiro Alberto Youssef prestará depoimento.
Valdir Werle, ex-gerente da Casa de Câmbio Elcatur (que teria enviado cerca de US$ 80 milhões ao exterior), foi ouvido em sessão secreta, na parte da manhã. Foi o depoimento dele que mais esclarecimentos trouxe à CPMI, mas o teor não foi revelado.
O depoimento de George Panteliades, funcionário licenciado do Banco Central do Brasil, começou pela manhã e foi retomado à tarde, após a pausa para o almoço. Panteliades começou a trabalhar no Banco Central em 1977, como economista. Em março de 1995, passou a chefiar a área internacional, em Curitiba. Tranquilo durante o depoimento, ele disse que pediu duas licenças da instituição (em 1997 e 1998). Segundo ele, não havia ''clima'' para trabalhar no Banco Central, pois foi acusado de improbidade administrativa por um procurador, o que o deixou desapontado. O relator da CPMI, deputado federal José Mentor (PT-SP) apresentou duas gravações a Panteliades, e perguntou se ele reconhecia as vozes. Panteliades reservou-se o direito de ficar calado, como permite a CPMI. Nas gravações, uma funcionária do banco Araucária falava sobre o bloqueio de conta da Casa de Câmbio Imperial. Pantelíades declarou que nem ele nem o Banco Central acobertavam irregularidades.
Em seguida foi ouvido o ex-diretor do Banco Integración, do Paraguai, Elias Lipatin Furman, que também é arquiteto e professor. Acusado de abrir em 1996 uma conta CC-5 no banco Araucária, Furman se defendeu dizendo que assumiu a presidência do banco apenas em 1998. A CPMI investiga a suposta participação do banco Araucária na remessa de dinheiro ao exterior. Os integrantes da comissão tentam descobrir qual foi a trilha do dinheiro e quais os bancos envolvidos. O empresário Marco Antônio Vendrametto e Célio Tunholi, ex-diretor do Integración, também foram ouvidos.
Acir Eloir Pinto da Rocha (ex-diretor do banco Integración) e Luiz Carlos dos Santos Mello (ex-presidente do Integración) foram dispensados de prestar depoimento ontem, como estava previsto. Afonso Celso Braga (ex-diretor do banco Integración) não foi porque estava com atestado médico, e Afonso Celso Braga Filho (empresário) também não compareceu porque tinha um habeas corpus, e estava em viagem de negócios.

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