Curitiba - A força-tarefa sediada em Curitiba que investiga denúncias de remessa ilegal de dinheiro para o exterior pretende enviar até o dia 25 deste mês os documentos que permitam a quebra de sigilo de 25 contas da agência do Banestado de Nova York, suspeita de estar envolvida em um mega-esquema de lavagem de dinheiro. Ontem, os procuradores e peritos da Receita Federal que compõem a força-tarefa reuniram-se com representantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que também investiga o assunto no Congresso Nacional.
Segundo o presidente da CPMI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), o principal objetivo do encontro foi reunir informações que permitam às autoridades brasileiras rastrear o destino de cerca de US$ 24 bilhões remetidos ao exterior desde 1996 por cinco bancos com sede em Foz do Iguaçu. ''Estamos buscando informações com a força-tarefa sobre as 157 contas que já tiveram seu sigilo quebrado pela Justiça Federal. Juntamente com as 162 contas que já estavam sendo investigadas, teremos subsídios para solicitar às autoridades americanas que quebre o sigilo das contas da agência do Banestado em Nova York'', explicou Paes de Barros. Antes de reunir-se com a força-tarefa, os parlamentares almoçaram com o governador Roberto Requião (PMDB).
Pelos dados já coletados pela CPMI, cinco bancos enviaram dinheiro para o exterior através de contas CC-5, de uso exclusivo de estrangeiros residentes no Brasil. Além do Banestado, que é o principal foco das investigações da CPMI, os bancos Araucária, Bemge, Banco do Brasil e Rural teriam enviado dinheiro para o exterior, sendo que o último não estaria nem autorizado a operar com as contas CC-5.
Além de buscar descobrir os destinatários dos recursos enviados ao exterior, a CPMI também quer apurar se o Banco Central poderia ter evitado a enxurrada de recursos remetidos ao exterior ocorrida a partir de 1996. ''Não temos dúvidas de que houve um erro gravíssimo na fiscalização desses recursos. Cabe à investigação descobrir se esse erro foi intencional, e quem seriam os responsáveis por ele'', comentou Paes de Barros.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco tem um depoimento previsto para a próxima terça-feira em Brasília para expor os motivos que levaram o Banco Central a não intervir na remessa de divisas para o exterior feita através de Foz do Iguaçu. Paes de Barros afirmou também que o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado na Assembléia Legislativa paranaense, deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), também será chamado para relatar os avanços das investigações sobre o tema no Estado.

mockup