CPMI dos Correios encontra 'conta-mãe' de Marcos Valério
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sexta-feira, 07 de outubro de 2005
Folhapress 
Brasília - O sub-relator de movimentação financeira da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse ontem que os parlamentares já chegaram à principal conta bancária que movimentou os recursos do empresário Marcos Valério de Souza. ''Chegamos à conta-mãe, se é possível chamá-la assim, e nessa conta há recursos de diferentes fontes'', disse. As informações são da Agência Brasil.
A CPMI analisou as 75 contas bancárias, em nove bancos diferentes, que estão em nome de Valério ou de suas empresas. Foram 40 mil movimentações bancárias. E chegou à principal, que é uma conta da agência SMP&B no Banco Rural. Fruet não acredita que, em princípio, a existência da ''conta-mãe'' signifique que ela é totalmente responsável pelo esquema de financiamento ilegal de campanhas.
Na conta, foram rastreados R$ 34 milhões do Rural e dessa parte, R$ 18 milhões são empréstimos feitos por Valério junto ao banco. Outros R$ 16 milhões estão sem identificação. Há vários depósitos do Marcos Valério, de sua mulher Renilda de Souza, e de empresas ligadas ao publicitário a Multiaction e a DNA.
O deputado disse que, na conta principal, também foram encontrados depósitos de empresas privadas como a siderúrgica Usiminas, a Cosipa, Telemig Celular e duas prefeituras: a de Betim e a de Contagem. ''Não significa que essas empresas repassaram, através do Marcos Valério, recursos para o Delúbio Soares ou pessoas indicadas por ele. Significa que nós terminamos a auditoria das contas do Valério e todas elas movimentaram esses recursos'', explicou.
De acordo com Fruet, após esse levantamento, será feita a investigação. ''No caso das empresas privadas, vamos pedir auditoria nesses contratos, nas empresas públicas o Tribunal de Contas já está auditando e, naquelas contas que ainda têm recursos de empresas ligadas ao Marcos Valério, nós teremos, com a quebra de sigilo, a possibilidade de chegar à novas origens'', explicou. Fruet acrescentou que a constatação de depósitos de empresas privadas na conta não significa pré-julgamento de envolvimento no caso.
Fruet explicou que na relação entre Marcos Valério e o PT não existe registro de empréstimo.''Qual é a lógica de alguém emprestar dinheiro de um banco e depois emprestar esse dinheiro para um partido político ligado ao governo? Se nós aceitarmos que há esse empréstimo estaremos legitimando a agiotagem no Brasil porque o Marcos Valério e suas empresas de publicidade não têm autorização do Banco Central para isso'', explicou.
Já na relação entre Marcos Valério e os bancos, o deputado disse que existem contratos de empréstimos. É preciso, agora investigar o que foi feito com o esse dinheiro. ''Boa parte desses recursos não está relacionada com essa conta que alimentou o Delúbio. Isso é típico de quem não quer deixar rastro e, quem faz esse tipo de estratificação nas suas contas, age como aqueles que lavam dinheiro'', acrescentou.


