CPMI dos Correios convoca presidente da Copel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de outubro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Rubens Ghilardi, deverá depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura irregularidades em contratos dos Correios. O requerimento pedindo a convocação de Ghilardi foi apresentado ontem pela senadora Ideli Salvati (PT/SC). O requerimento foi aprovado mas ainda não há data definida para o depoimento. A senadora foi procurada, mas não retornou as ligações.
Os membros da CPMI pretendem esclarecer os contratos firmados pela Copel com a Interbrazil Seguradora, entre 2003 e 2005, no valor de R$ 1,2 bilhão. A Interbrazil é comandada pelo irmão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e está sendo investigada por ter oferecido supostas vantagens ao PT para fazer seguros de companhias elétricas no Brasil. Desde 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou posse, a Interbrazil venceu licitações para segurar algumas das maiores autarquias e empresas públicas do país. O contrato com Angra I e II custou R$ 2,5 bilhões, e o da Companhia Energética de Goiás, R$ 1 bilhão.
No entanto, a Interbrazil não teria patrimônio para efetuar o seguro, sendo obrigada a recorrer ao Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) para dividir a responsabilidade sobre o patrimônio. Investigações apontam que os certificados de resseguro da Interbrazil eram fraudulentos, multiplicando os lucros da seguradora, e que a fraude teria conivência de membros do PT no IRB. A Interbrazil está sob intervenção da Superintendência de Seguros Privados (Susep) por supostas fraudes na sua documentação.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) também pagou R$ 682 mil à Iterbrazil em 2004. Segundo o diretor administrativo e financeiro da Appa, Mário Marcondes Lobo Filho, foi realizada uma licitação no final de 2003 e que a Interbrazil apresentou o menor preço e certificados necessários.
A CPMI aceitou também ontem a oferta espontânea dos dados bancários da assessora do deputado José Janene (PP), Rosa Alice Valente. O advogado da assessor, Adolfo Góis, se antecipou a votação do requerimento do sub-relator da comissão deputado Gustavo Fruet (PMDB) que pedia a quebra do sigilo de Rosa e disponibilizou os dados. ''Ela vai apresentar toda documentação. Fui procurado pelo advogado dela e falei que neste momento não teria problemas. A gente tem como checar os dados com a quebra do sigilo bancário da Bônus-Banval'', assegurou o deputado.
Rosa, que trabalha no escritório político de Janene em Londrina, foi citada no depoimento do sócio-proprietário da corretora Bônus-Banval, Enivaldo Quadrado. O empresário declarou à CPMI que Rosa teria sido a destinatária de cinco depósitos entre junho e setembro de 2004, que totalizaram R$ 113 mil. A Bônus-Banval é apontada como intermediária de recursos entre o publicitário Marcos Valério de Souza e indicados do PP. A Folha tentou entrar em contato com Góis, mas ele não foi localizado.
A reportagem também tentou entrar em contato com Ghilardi através da assessoria de imprensa da Copel, mas ele não retornou a ligação. Em nota divulgada pela Agência de Notícias do governo do Paraná no dia 14 de setembro, a Copel assumiu que fez contratos de seguro com a empresa Interbrazil, frisando que eles foram resultantes de licitações, conforme determina a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


