CPMI do Desmanche vem ao Paraná
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domingo, 30 de maio de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A CPMI do Desmanche, instalada na Câmara dos Deputados em Brasília, pretende desembarcar no Paraná nos próximos dias 24 e 25 de junho, na Assembléia Legislativa do Estado, em Curitiba, para colher depoimentos de delegados, donos de lojas de desmanche e ''salvados'', ladrões de carros e leiloeiros. A CPMI quer ouvir ainda o secretário de Estado Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e o diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran), Marcelo Almeida. A informação é do deputado federal do Paraná, Hidekazu Takayama (PFL), relator da comissão.
De acordo com a CPMI, agentes da Polícia Federal (PF) estarão realizando nos próximos dias diligências em várias cidades do Estado, com o objetivo de colher documentos e provas contra as quadrilhas especializadas no roubo de veículos e ''num esquema fraudulento que envolve seguradoras, leiloreiros e lojas de desmanche, através do qual veículos roubados são esquentados mediante a utilização do chassis e documentação de salvados (automóveis que tiveram perda total em acidentes de trânsito)''.
''Temos informações de que uma loja de desmanche de Londrina, de propriedade de um político influente, estaria envolvida nesse esquema e, portanto, será alvo de investigação'', prometeu Takayama. Segundo o deputado, 2 mil carros são roubados por dia no Brasil. Outros 60 mil veículos acidentados são leiloados todos os meses. ''Assim, descobrimos que os ladrões que roubam carros nas esquinas das cidades são apenas a ponta do iceberg deste bem arquitetado esquema fraudulento, que começa a ser desvendado pela CPMI. Um esquema que envolve empresas seguradoras, leiloeiros e, por incrível que pareça até técnicos e funcionários do Inmetro e Detrans''.
Takayama e os demais integrantes da CPMI acreditam que há uma relação entre as empresas de desmanche de automóveis com a escalada do roubo de carros no País e querem saber quantas mortes já ocorreram nessas circunstâncias. ''A falta de regularização na documentação dos veículos salvados acaba estimulando a utilização dos documentos por organizações criminosas. Assim, para normatizar o setor, deveria ser criado um órgão que regulasse a negociação entre seguradoras e oficinas. Outra necessidade é a instituição de um mecanismo seguro que não permita a reutilização dos documentos de veículos salvados como vem ocorrendo'', disse.


