CPMI do Banestado volta ao PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a evasão de divisas para o Exterior através das chamadas contas CC-5, aparentemente legais e usadas inicialmente por estrangeiros residentes no Brasil, está hoje em Curitiba para aprofundar as apurações que revelam ligações entre grupos estrangeiros e brasileiros que utilizavam as contas de Foz do Iguaçu para lavagem de dinheiro.
As operações que chamam mais a atenção dos parlamentares foram realizadas entre o Banco Integración do Paraguai e o Banco Araucária. Entre 1996 e 2003, mais de 95% das operações feitas pelo Integración, que tinha brasileiros nas diretorias estratégicas, eram relacionadas ao Araucária. ''O Integración foi criado a partir de uma casa de câmbio, que se transformou em banco para fazer lavagem de dinheiro. As alterações na legislação paraguaia só facilitaram esse processo. E os bancos brasileiros eram usados para fazer a operação ilegal'', explicou o deputado federal José Mentor (PT-SP), relator da CPMI do Banestado, em entrevista à Folha.
Para desvendar as operações realizadas entre os dois bancos, vão ser chamados para depor a partir de hoje ex-diretores do Integración (alguns ouvidos no mês passado em Curitiba) e ex-diretores do Araucária. Entre os nomes citados por Mentor estão o de Afonso Celso Braga e Afonso Celso Braga Filho, Elias Lipatin Furman (atual presidente do Integración), Alberto Dalcanalle Neto (ex-presidente do Araucária) e Ruth Whately Bandeira (diretora de Câmbio do Araucária). ''Temos gravações que comprovam a existência de complô para a armação de laranjas, de operações paralelas de divisas, participação de doleiros e relação mais do que amistosa dos bancos Araucária e Integración'', apontou Mentor.
O deputado federal disse ainda que nas reuniões de hoje e amanhã, a CPMI vai tentar esclarecer a relação dos bancos agraciados com a operação de contas CC-5 (Meridional, Banco do Brasil, Araucária, Banestado, Bamerindus e Banespa). Por isso, foi reconvocado o ex-funcionário do Banco Central George Pantelíades. Ao todo, foram convocados para depor 30 pessoas.


