CPMI do Banestado toma depoimentos em Curitiba
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sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados e senadores que formam a Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do Banestado instalada no Congresso ouvem hoje em Curitiba gerentes e ex-presidentes do banco em uma sessão na Assembléia Legislativa. Os parlamentares querem descobrir como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro através de contas CC-5, que envolvia agências do banco em Curitiba, Foz do Iguaçu e nos Estados Unidos. A CPMI também pretende ouvir o doleiro londirnense Alberto Youssef, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.
A lista com os nomes de todos os depoentes não foi divulgada, mas o número de convocados passa de 20. Entretanto, a presença de todos não é garantida. Em uma sessão da CPMI realizada ontem em Foz do Iguaçu, apenas 11 dos 23 convocados compareceram. O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse ontem que não iria se pronunciar a respeito do comparecimento ou não do doleiro à sessão.
Segundo a deputada federal do Paraná, Clair Martins (PT), os depoimentos tomados até agora comprovam que nem a direção dos bancos privados nem o Banco Central (BC) fiscalizavam a movimentação das contas CC-5, teoricamente de uso de estrangeiros radicados no Brasil. ''Os gerentes que deram os depoimentos não afirmaram que a ordem de fazer vistas grossas veio de uma instância superior, mas é absurdo que tamanha quantidade de dinheiro passasse pelos bancos sem despertar a atenção. A fiscalização era inexistente'', afirmou Clair.
Os deputados também tentam descobrir como era a relação entre bancos e agências de câmbio de Foz do Iguaçu, responsáveis por grande parte das remessas para o exterior. Na sessão de ontem em Foz, o depoimento mais conturbado foi o de Débora Ormay Molas, gerente da casa de Câmbio Eucatur. Pelas investigações, a Eucatur remetia cerca de US$ 400 mil por mês para o exterior. A gerente afirmou que não cometeu nada de irregular.
Além de ouvir os depoentes, os membros da CPMI pretendem trocar informações com outros órgãos responsáveis pela investigação do crime de evasão ilegal de até US$ 30 bilhões entre 1996 e 2000 através de Foz. ''Vamos conversar com o presidente da comissão que investiga o caso na Assembléia Legislativa deputado estadual Neivo Beraldin (PDT) e, possivelmente, também conversaremos com os procuradores do Ministério Público federal que integraram a força-tarefa que investigou o assunto'', ressaltou Clair.


