Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso que investiga um esquema de lavagem de dinheiro através de contas do Banestado reúne-se hoje em Curitiba com a força-tarefa que tenta descobrir os responsáveis pela remessa de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior através de contas CC-5. Além de trocar informações com os procuradores da República e técnicos da Receita Federal que compõem a força-tarefa, os deputados federais e senadores pretendem apresentar um plano de cooperação para reforçar os trabalhos da equipe sediada em Curitiba.
Segundo o deputado londrinense Paulo Bernardo (PT), a idéia é aproveitar as diligências já realizadas pela força-tarefa desde maio para impulsionar os trabalhos da CPMI em Brasília. ''Nós estamos começando a investigação agora, e não temos a mesma experiência nesse tipo de investigação que os peritos da força-tarefa que investigam isso. A idéia é aproveitar esses dados e incrementar o trabalho dos procuradores com o apoio do Legislativo'', afirmou Bernardo.
O deputado, que já esteve reunido com membros da força-tarefa há 15 dias, constatou que os procuradores necessitavam de apoio material. ''Conversei com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que se possa disponibilizar uma verba necessária para renovar a licença de um software que realiza o cruzamento de dados entre instituições financeiras. Isso agilizaria muito as investigações'', afirmou.
A pressa da força-tarefa e dos parlamentares deve-se ao fato de que muitas das irregularidades cometidas já prescreveram, ou seja, o Estado não pode mais recuperar o imposto que deveria ter sido cobrado pelo dinheiro remetido ilegalmente para o exterior. ''Há uma preocupação grande em acelerar os trabalhos para que os responsáveis possam ser punidos criminalmente e ressarçam os cofres públicos. Também queremos apurar a responsabilidade dos diretores do Banestado e do Banco Central, que não tomaram providências quanto a evasão de divisas'', afirmou Paulo Bernardo.
O petista disse ainda que a CPMI também tem a intenção de trocar informações com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembléia Legislativa do Paraná que também apura irregularidades do Banestado.
O relator da CPMI, José Mentor (PT-SP) destacou que a reunião com os procuradores de Curitiba é um primeiro passo para a unificação dos diversos órgãos que investigam a lavagem de dinheiro. ''Pretendemos enviar uma missão aos Estados Unidos, para que as autoridades americanas também possam nos ajudar na investigação'', destacou Mentor.

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