Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito da Terra ameaça recorrer à polícia para garantir o depoimento de três dirigentes e três funcionários de entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra suspeitos de uso irregular de verbas da reforma agrária. O grupo, que faltou à audiência terça-feira, foi chamado para prestar depoimento na próxima quarta.
''Convocamos os representantes mais uma vez. Se não aparecerem, teremos de usar a força policial'', afirmou o presidente da CPI, senador Álvaro Dias (PSDB-PR). A comissão quebrou o sigilo fiscal e bancário da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e da Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária (Concrab) e detectou uma série de indícios de fraudes nas contas. As duas entidades atuam em sintonia com o MST.
Entre 2001 e 2004, Anca e Concrab teriam recebido R$ 10 milhões de repasses federais para serem usados em ações de reforma agrária. Documentos obtidos pela CPI indicam que o secretário-executivo da Anca, José Trevisol, e a tesoureira, Selma Aparecida dos Santos, teriam usado R$ 400 mil da entidade para comprar dois planos de previdência privada.
A Concrab é suspeita de fraudar a prestação de contas em convênios para educar assentados da reforma agrária. De acordo com documentos reunidos pela CPI, a verba declarada para pagamento de professores e prestadores de serviço teria sido desviada e depositada em contas de funcionários.
Os funcionários Emerson Rodrigues da Silva, Edmilson José de Pinho e Orlando Vieira de Araújo teriam recebido somente da Concrab cheques que totalizam R$ 704 mil. Segundo a CPI, o grupo teria recebido também cheques da Anca.

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