Curitiba - Deputados federais e senadores que fazem parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Reforma Agrária chegam hoje em Curitiba para ouvir depoimentos sobre a suposta existência de uma milícia armada no campo, financiada por ruralistas. As suspeitas de formação de milícias armadas foi reforçada na semana passada, depois de depoimentos de ruralistas e policiais militares da reserva presos que confirmaram que um oficial da Polícia Militar (PM) arregimentava soldados para patrulhar a zona rural da região de Ponta Grossa, nos Campos Gerais.
As milícias armadas estariam ameaçando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Um dos primeiros a serem ouvidos hoje à tarde é o oficial preso e acusado de comandar as milícias armadas, tenente-coronel Valdir Copetti Neves. De acordo com o senador Alvaro Dias (PSDB), presidente da CPMI, a intenção é conseguir detalhes sobre a nova maneira usada pelos ruralistas para proteger suas terras. ''Esperamos que o tenente-coronel faça declarações reveladoras sobre aqueles que agem à margem da ordem e da lei. Essa afronta ao Estado de direito democrático merece uma resposta urgente'', disse o senador. Até agora, Neves não quis conversar com a imprensa. O advogado dele, Cláudio Dalledone Júnior, nega que o oficial tenha envolvimento com milícias armadas ou tráfico de armas.
Além de Neves, outras sete pessoas estão presas na sede da Polícia Federal em Curitiba acusadas de integrar o grupo armado que atuariam em todo o Paraná. Entre os presos, estão policiais militares da reserva e integrantes do MST que estariam infiltrados para repassar informações ao comando do grupo. A CPMI convocou para prestar depoimentos ainda hoje: o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Jader Makul Hanna Saad e o presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Paraná, Marcos Prochet. Também foram convidados o proprietário rural, Cecílio Rêgo Almeida e o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Ladislau Biernski.
Devem fazer parte da CPMI hoje o senador Alvaro Dias; o vice-presidente, deputado Onyx Lorenzoni (PFL/RS); o relator, deputado João Alfredo (PT/CE); os senadores Sibá Machado (PT/AC) e Flexa Ribeiro (PSDB/PA); e os deputados federais Adão Preto (PT/RS), Jamil Murad (PFL/RS), Luci Choinacki (PT/SC), Abelardo Lupion (PFL/PR) e Josué Bengtson (PTB/PA). A CPMI da Terra foi criada em março do ano passado para fazer um diagnóstico sobre a situação fundiária no País e tem até o dia 15 de junho para apresentar o relatório final.

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