CPMI colhe depoimentos na Justiça Federal
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a evasão de divisas para o Exterior através das chamadas contas CC-5, aparentemente legais e que foram criadas para facilitar a remessa de dólares de estrangeiros residentes no Brasil, está desde ontem em Curitiba coletando informações e depoimentos prestados ao Ministério Público (MP) federal, Polícia Federal (PF) e Justiça Federal por pessoas supostamente envolvidas com o envio de dólares para paraísos fiscais através de contas de ''laranjas''.
Entre os depoimentos que foram colhidos ontem está os que foram prestados pelo doleiro Alberto Youssef, que seria convocado para depor na passagem da CPMI pelo Paraná. ''Ele não quis depor a primeira vez à comissão. Resolvemos verificar o que ele já disse antes de decidirmos se vamos reconvocá-lo para outra data'', afirmou o deputado federal José Mentor (PT-SP), relator da CPMI. A deputada federal Clair da Flora Martins (PT-PR), integrante da CPMI, considerou fundamental a coleta dos depoimentos. ''Não costumamos só ler os depoimentos. Devemos chamá-lo sim em outra oportunidade. Mas já teremos de antemão tudo aquilo que ele disse em juízo'', afirmou ela.
Os depoimentos de Youssef foram coletados junto ao juiz da 2 Vara Federal Criminal, especializada em crimes de lavagem de dinheiro, Sérgio Moro. Outros documentos ainda foram fotocopiados pelos parlamentares. Entre eles, um documento da Diretoria de Auditoria e Controles Internos do Banestado que admite a remessa de dólares por laranjas ou fantasmas. O documento é assinado pelo consultor jurídico Fausto Preira de Lacerda Filho no dia 19 de maio de 1997 e faz parte do trabalho de auditoria interna do banco, em relatórios que somam mais de 120 mil páginas.
Também foram trocadas informações com a força-tarefa que analisa todo o trâmite dos depósitos realizados nas contas CC-5. A força-tarefa é composta por integrantes do MP federal e pela PF. ''Foi uma troca de informações muito produtiva'', disse Mentor. ''Tivemos sinais claros de que está havendo avanços nas investigações do Paraná'', analisou a deputada paranaense.
Até agora, o MP federal já denunciou 370 pessoas em ações penais por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, sonegação fiscal, falsidade ideológica e formação de quadrilha. Também foram feitos 85 pedidos de sequestro de bens num total de R$ 97,7 milhões. Três pessoas já foram condenadas em primeira instância por lavagem de dinheiro: Divonzir Vatenace (12 anos e oito meses de prisão), Odilon Cândido Bacellar Neto (cinco anos e seis meses) e Altemir Antonio Casteli (seis anos e nove meses).
Depois da coleta de informações, os parlamentares reforçaram que não têm como terminar as investigações até o prazo regimental dos trabalhos, que se encerra no dia 12 de junho. Por essa razão, a CPMI do Banestado deverá protocolar nos próximos dias no Congresso Nacional um requerimento para que o prazo seja prorrogado por mais 180 dias. A coleta de assinaturas para a continuidade dos trabalhos já começou.


