Brasília - A entrada em funcionamento de sucessivas Comissões Parlamentares de Inquérito no Congresso - algumas contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva, outras contra o governo Fernando Henrique Cardoso - promete aquecer, quase no início do inverno, a temporada pré-eleitoral, numa escalada que já preocupa o governo e, em menor medida, a oposição.
Se a moda pega, a guerra das CPIs pode, de fato, dar munição a alguns partidos para a disputa eleitoral de 2006 e transformar outros em vidraça. Entre os temas que estão na mira das investigações parlamentares, figuram o caso de corrupção nos Correios, o escândalo Waldomiro Diniz - até agora imune às investigações - e as suspeitas de irregularidades durante o processo de privatização no governo FHC.
''A situação ficará incontrolável se as CPIs se tornarem uma luta entre governo passado e o atual, entre oposição e governo'', avalia o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA), que diz que o País vive um momento de retomada do desenvolvimento e um processo político que não deve ser tumultuado justamente nessa hora.
Ao mesmo tempo em que trabalha para controlar a CPI dos Correios os governistas se preparam para atuar na comissão de inquérito da Câmara que vai investigar a privatização do setor elétrico - um tema que provoca desconforto a PSDB e PFL, mas também incomoda o governo.
Um acordo entre os líderes partidários e o presidente da Câmara, Severino Cavalcante (PP-PE), fixou a instalação da CPI do Setor Elétrico para esta semana. Ela já deveria estar funcionando desde o ano passado, mas a falta de interesse dos partidos governistas e da oposição atrasou seu início.
A enxurrada de CPIs vai realmente paralisar o Congresso e prejudicar o governo, crê o líder do PP na Câmara, José Janene (PR). ''Não adianta o ministro Antonio Palocci negar. A instabilidade política é prejudicial aos investimentos em qualquer setor'', justifica. Aliado do Planalto, Janene aponta a CPI do Setor Elétrico como potencialmente mais nefasta ao governo do que a CPI dos Correios. Para ele, ''queira ou não'' a CPI vai afastar investimentos, o que já está produz mal-estar em todos os partidos.

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