CPIs do Senado entram na reta final
Rosa Costa
Agência Estado
De Brasília
As CPIs do Senado recomeçam suas atividades nesta semana em ritmos diferentes, a menos de um mês do prazo para encerrar suas atividades. A dos Bancos vai ter que buscar um acordo sobre o que vai investigar até o final do mês. Se depender do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), boa parte do tempo será dedicado na apuração do funcionamento do Proer. Mas o assunto é considerado favas contadas pelo seu colega Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO).
A divisão aumenta com a decisão do senador Carlos Bezerra (PMDB-MT) de investigar a fundo a relação entre a Construtora Encol, que deu um golpe em 40 mil famílias, e o Banco do Brasil, que continuou liberando dinheiro para a empresa mesmo quando sua situação era insustentável. A CPI vai ainda aguardar a decisão do STF sobre liminares que limitam seus poderes.
Já a CPI do Judiciário terá que se desdobrar para acompanhar os sete depoimentos que ocorrerão até a quinta-feira, além de examinar documentos que comprovam, em boa parte, as denúncias que estão sendo investidas. Um desses documentos, uma certidão fornecida pela Junta Comercial de São Paulo revela que, desde dezembro, a sede da construtora Incal se transferiu para Brasília. A empresa é responsável pela obra inacabada do Fórum Trabalhista de São Paulo. Dos R$ 263 milhões consumidos dos cofres públicos, R$ 169 milhões foram desviados, de acordo com o TCU.
O fato é considerado grave pela CPI porque foi omitido pelo dono da empresa, Fábio Monteiro de Barros Filho, e pelo senador Luiz Estevão (PMDB-DF), nos depoimentos que prestaram à CPI. A omissão reforça a suspeita de que a ligação do parlamentar com a Incal é maior do que ele afirma. Estevão mora em Brasília, onde mantém a maior parte de seus negócios. Os extratos bancários recebidos pela comissão mostram que a Incal repassou cerca de R$ 6 milhões para suas empresas, quase todos eles no período da construção, suspensa no ano passado por um decisão da Justiça.
Outra novidade descoberta pela CPI é que o suposto taxista Jaime de Souza, que mora em Taguatinga (DF), recebeu 850 ligações de Monteiro de Barros e cerca de 80 ligações do ex-presidente do Tribunal Regional de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto. Para o presidente da CPI, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), as investigações das oito denúncias têm superado a expectativa. Além de perceber o efeito moralizante da CPI, temos elaborado sugestões importantes para oferecer à reforma do Judiciário, afirmou.
A ameaça de a CPI dos Bancos fracassar não é endossada pelos seus integrantes, apesar de não ter sido confirmada até agora nenhuma das denúncias que justificaram a sua criação. Para o senador Eduardo Siqueira Campos, só a possibilidade de orientar na elaboração de uma nova lei recriando o Banco Central, já é um grande avanço. Segundo ele, a comissão conseguiu convencer os dirigentes do banco a criar um cadastro nacional de contas correntes. Também demonstrou que a lei de 1964, que trata do funcionamento da entidade, tem que ser modificada imediatamente. Se não houver uma bomba sobre a descoberta de um cheque de valor altíssimo, vocês (imprensa) acham que fracassou, rebateu.Comissões retomam trabalhos nesta semana, dando prioridade às investigações e confiantes do êxito em seus objetivos
Arquivo FolhaSucessoSenador Ramez Tebet: Além de perceber o efeito moralizante da CPI, temos elaborado sugestões importantes para oferecer à reforma do Judiciário





