As cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que funcionaram na Assembléia Legislativa no ano passado consumiram R$ 87.079,59, segundo a diretoria financeira do Legislativo.
As CPIs investigaram, ao longo de nove meses, Narcotráfico, Medicamentos, Supermercados, Combustíveis e Roubo de Cargas. O valor gasto refere-se a diárias de hotel, serviço de taquígrafas, refeições, passagens aéreas, de ônibus e combustível.
Ontem foi o último dia para entrega dos relatórios finais e quatro CPIs cumpriram o prazo. A única que forneceu documento parcial foi a do Narcotráfico. Todas as denúncias apuradas pelas CPIs serão encaminhadas ao Ministério Público.
O relatório da CPI dos Supermercados foi entregue à mesa executiva pela manhã. Apesar do presidente da comissão, deputado Geraldo Cartário (PSL), ter anunciado que não ficou satisfeito com as investigações – porque não pôde colher diversos depoimentos, principalmente de diretores das redes Sonae e Carrefour –, o relator Ademar Traiano (PTB) entregou a documentação, mesmo sem ter passado pelo crivo dos demais membros da comissão. O relatório deverá ser lido na segunda-feira.
O presidente da CPI dos Combustíveis, Durval Amaral (PFL), entregou 150 páginas à presidência da Casa. Das 400 empresas investigadas, 165 apresentaram problemas. Segundo Amaral, as irregularidades foram administrativas, fiscais, dumping e adulteração de combustíveis. Do total, 31 fizeram adulteração.
O relator Tony Garcia (PPB) propõe que seja instalada nova CPI para continuar investigando o setor. A justificativa é que, com o anúncio do fim dos trabalhos, algumas empresas querem ‘‘recuperar o tempo perdido’’, segundo Amaral. Cada irregularidade terá um relatório anexo que será encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de punir os envolvidos.
A CPI dos Medicamentos, instalada no primeiro semestre do ano passado, constatou sonegação fiscal e falta de genéricos nas prateleiras. O relator, Antônio Carlos Belinati (PSL), encaminhou o documento à mesa executiva ontem e prometeu a leitura para a próxima semana.
O primeiro a apresentar as conclusões, na semana passada, foi César Seleme (PPB), presidente da CPI do Roubo de Cargas. Os resultados mais importantes foram a descoberta de como as quadrilhas agem no Estado e a aprovação de dois dos quatro projetos de lei apresentados pela CPI.
A oposição considera que os resultado apresentado pelas comissões – compostas por governistas – foi fraco, principalmente se considerados os gastos. O líder do PMDB, Nereu Moura, disse que as comissões foram uma mistura de ‘‘pizza com suco de laranja’’, porque ‘‘não deram em nada’’.
Aguardam na fila outras sete CPIs. Segundo o presidente Hermas Brandão (PTB), as comissões devem começar a ser instaladas, por ordem de chegada, na próxima semana. As cinco primeiras são da situação e as outras duas de autoria da oposição.

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