Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Deputados federais integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico vêm ao Paraná na segunda quinzena de fevereiro. A informação foi confirmada ontem à tarde pelo deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT), que é membro suplente da CPI. ‘‘Voltamos do recesso parlamentar no dia 15 de fevereiro e os primeiros passos da CPI neste ano serão ouvir depoimentos no Paraná e em Alagoas’’, garantiu o deputado. O prazo para o fim da CPI é no dia 15 de maio.
Padre Roque informou que o primeiro depoimento pode ser da traficante Shirley Aparecida Pontes, de 33 anos. A decisão pela vinda da CPI ao Paraná foi tomada ontem, em Brasília, durante uma reunião do relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE) com o deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) – que preside a Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa paranaense. Também participaram o delegado Adauto Abreu de Oliveira (chefe da Força Especial de Repressão Anti-Tóxico – Fera) e a mulher dele, Leila Aparecida Bertolini, que também é delegada da Polícia Civil.
A reunião informal, segundo Padre Roque, serviu para os deputados avaliarem os relatórios já elaborados pela CEI e por Adauto Oliveira. ‘‘O delegado nos contou que já reuniu muitas provas documentais que dão consistência para pedir a prisão de várias pessoas nos próximos dias’’, informou. O petista considerou ‘‘preciosas’’ as informações do delegado e do presidente da CEI. Padre Roque informou que, incialmente, a CPI do Narcotráfico deve ouvir o depoimento de ‘‘quatro ou cinco’’ pessoas no Paraná. Alegando ‘‘sigilo’’, o deputado só confirmou o depoimento da traficante Shirley Aparecida Pontes.
Ela é acusada de fazer parte do braço paranaense da quadrilha do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar. Shirley foi presa no dia 6 de dezembro, em Maringá, com um quilo de cocaína pura. Já condenada por tráfico de drogas pela Justiça do Mato Grosso, ela foi ouvida pela CEI no dia 15 de dezembro. O depoimento foi marcado pelo cinismo e ironia da traficante, que negou conhecer Beira-Mar e classificou de ‘‘azar’’ ter sido presa por três vezes com cocaína.
O vice-presidente da CEI, deputado Algaci Túlio (PTB), ficou animado ao ser informado da vinda da CPI ao Paraná. ‘‘É importante para estimular os deputados estaduais a transformar a CEI em CPI’’. Na opinião dele, se os trabalhos dos deputados paranaenses continuarem restritos à CEI ‘‘não vai se chegar a lugar nenhum’’.
A CEI foi instalada em novembro do ano passado. Já ouviu, pela ordem, o delegado Adauto Oliveira, a traficante Shirley, o ex-integrante de uma quadrilha de traficantes Rafael Leandro Walenga e o delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha. Os deputados também fizeram sessões em Cascavel e Foz do Iguaçu. Túlio informou que desde que a AL entrou em recesso, a CEI está ‘‘com poucas atividades’’ internas. ‘‘Nossa última reunião foi no dia 10 de janeiro, quando recebemos do delegado Noronha um relatório da Polícia sobre o relacionamento dos traficantes de drogas com os homicídios praticados no Estado.’’

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