Luciana Pombo
De Curitiba
O deputado federal Pompeu de Matos (PDT-RS) apresenta na próxima segunda-feira um requerimento solicitando a reconvocação do secretário da Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o crime organizado e o narcotráfico no Brasil. Desta vez a convocação será para Brasília.
De acordo com o deputado gaúcho, o depoimento dado pelo secretário em Curitiba não foi consistente. ‘‘Eu não me convenci das respostas dadas por ele aos questionamentos feitos pelos meus colegas parlamentares. Acho também que muitas perguntas deveriam ter sido feitas e não foram’’, considerou, lembrando que não esteve presente à sessão em que Cândido Martins depôs.
Pompeu de Matos afirmou que o depoimento foi adiado por oito horas – de forma estratégica – para esvaziar a CPI. ‘‘Só o fato dele ter empurrado com a barriga o depoimento por cerca de oito horas já demonstra o comprometimento dele com as denúncias que estavam sendo feitas na CPI’’, atacou.
O deputado federal (que é um dos sub-relatores da CPI) disse não acreditar que Cândido Martins não soubesse que a ‘‘Polícia Civil do Paraná comandava o crime organizado no Estado’’. ‘‘Eu não acredito que ele – amigo pessoal do delegado-chefe da Polícia Civil (João Ricardo Képes Noronha) – não tivesse conhecimento dos fatos. E se ele realmente não sabia, deveria ter dignidade para reconhecer que é um incompetente’’, disparou o parlamentar.
Pompeu de Matos foi um dos primeiros a pedir – durante a permanência da CPI do Narcotráfico no Paraná – a renúncia do secretário. ‘‘Não é uma questão política, é uma questão de dignidade, de limpeza da polícia. Se ele não quer pedir a demissão, ele deveria ser exonerado pelo governador Jaime Lerner’’, considerou, ressalvando que respeita a atuação de Lerner no Paraná no combate ao narcotráfico. ‘‘Existe um vazio de autoridade na segurança do Paraná e que precisa ser preenchido com alguém que tenha as mãos limpas. E não alguém como o Cândido Martins de Oliveira, que quer lavar as mãos agora’’, acusou.
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR) afirmou ontem que existe um consenso entre os parlamentares para uma nova convocação do secretário, mas a data ainda terá que ser definida. ‘‘Acho melhor fazer esta convocação mais para frente. Temos muitas denúncias chegando e que precisam ser apuradas até que esta convocação seja confirmada’’, declarou ele.
Também serão ouvidos pela CPI em Brasília o investigador Paulo Roberto Oliveira (que denunciou envolvimento do secretário com os policiais que traficavam drogas no interior do Estado) e o advogado Antonio Pellizzetti. ‘‘O Pellizzetti só não foi chamado em Curitiba porque não houve tempo. Temos denúncias do envolvimento dele com traficantes. Ele ainda terá que explicar algumas mortes no Estado, como a do advogado Crovador’’, sinalizou Padre Roque.

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