CPI vai pedir indiciamento de Valério e Delúbio
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O relator da CPMI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), e o sub-relator Gustavo Fruet (PSDB-PR) afirmaram ontem que já têm elementos suficientes para revelar o esquema utilizado pelo publicitário Marcos Valério para desviar recursos do governo federal para o PT. Fruet disse ainda que vai pedir o indiciamento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O pedido constará do relatório parcial com o resultado das investigações realizadas até agora pela comissão que será apresentado nesta quinta-feira em Brasília. Fruet vai encaminhar o pedido ao Ministério Público baseado em indícios de lavagem de dinheiro e tráfico de influência levantados ao longo de meses de investigação da CPI.
De acordo com Fruet, os contratos de publicidade das empresas de Marcos Valério com estatais foram usados para o financiamento de caixa 2 em campanhas eleitorais. Ele também afirmou que a participação dessas estatais terá destaque no relatório de quinta-feira.
O relatório, adiantou Fruet, deverá conter mais de 60 páginas com detalhes das mais de 600 transferências eletrônicas realizadas pelas empresas ligadas a Marcos Valério. ''O esquema foi muito bem montado em uma visão macro, mas nós iremos mostrar o funcionamento das triangulações nos detalhes. Os pagamentos não funcionavam com um simples depósito em uma empresa A que depois repassava aos destinatários. A trama é muito mais complexa, mas na análise contábil iremos mostrar o que realmente acontecia com o dinheiro'', afirmou Fruet.
Além da demonstração contábil, o relatório irá sugerir o indiciamento de pessoas que participaram do esquema de desvio de verbas. Nenhum deputado federal, porém, será indiciado, de acordo com Serraglio. ''Embora no começo a CPMI dos Correios realizou investigações relativas ao mensalão, outra comissão foi criada especificamente para investigar esse fim. Se entrássemos nessa seara, correríamos o risco de ter todas nossas investigações anuladas por termos extrapolado nossas atribuições iniciais'', justificou Serraglio.
O peemedebista destacou que os indiciamentos do relatório parcial podem não atingir todas as pessoas suspeitas de terem participado no esquema. ''Nossa preocupação é buscar todos os elementos de convicção antes de oferecermos os dados às autoridades policiais. Se anteciparmos esse processo, isso pode acabar beneficiando quem cometeu o ilícito, que pode acabar respondendo por um crime menor do que o que cometeu'', explicou.
Serraglio afirmou que os trabalhos da CPMI dos Correios devem se estender por pelo menos mais quatro meses. ''É necessário ampliarmos o prazo de investigação porque apesar da colaboração dos auditores do Tribunal de Contas da União, não dispomos do pessoal necessário para concluir as diligências em poucos meses.''


