CPI vai ouvir também viúva do ex-prefeito de Campinas Chefe-de-gabinete de Lula é convocado
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Hudson Corrêa<br>Folhapress 
Brasília - O governo sofreu dura derrota ontem na CPI dos Bingos, que convocou o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, para depor amanhã. Os senadores vão questionar Carvalho sobre suposto esquema de corrupção para campanhas do PT que teria levado ao assassinato em janeiro de 2002 de Celso Daniel, então prefeito petista de Santo André (SP). Outra decisão foi convocar Roseana Garcia, viúva do ex-prefeito de Campinas (SP) Antônio Costa dos Santos, o Toninho do PT, assassinado em setembro de 2001. Garcia diz que o ''crime foi político''.
As duas convocações foram aprovadas com embate entre a oposição e senadores da base do governo que não costumam frequentar a CPI, mas ontem estiveram presentes. Nos dois casos, a votação terminou empatada em seis a seis e coube ao presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB), dar o voto de minerva favorável. Morais disse que não há data para votar a convocação do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), acusado de receber propina quando era prefeito de Ribeirão Preto (SP) em 2001 e 2002.
Em depoimento no dia 1º, o oftalmologista João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André, disse ter ouvido de Carvalho - por três vezes logo após o assassinato - como funcionava a corrupção na prefeitura. O chefe-de-gabinete de Lula teria tido que pegava propina de empresas, em esquema montado pelo próprio Celso Daniel, e levava o dinheiro a São Paulo ao então presidente do PT, o deputado José Dirceu (SP), que teria recebido R$ 1,2 milhão.
O esquema seria operado pelo empresário Sérgio Gomes da Silva (denunciado como o mandante do assassinato) com o ex-vereador do PT Klinger Luiz de Oliveira e com o empresário do setor de transporte e coleta de lixo Ronan Maria Pinto. A intenção de Celso Daniel, segundo o irmão, era que o dinheiro fosse para as campanhas do PT. Ao descobrir que os operadores do esquema estavam ficando, no lugar do partido, com os valores desviados dos cofres públicos, o ex-prefeito tentou romper e, por isso, foi morto, conforme a versão de João Francisco. Carvalho diz que nunca fez o relato a João Francisco.
Toninho do PT, outro prefeito assassinado, decidiu rever, ao assumir o cargo, os contratos de terceirização do lixo (R$ 133 milhões por quatro anos), de segurança patrimonial (R$ 11 milhões por ano) e da merenda escolar (R$ 20,8 milhões anuais). A viúva acredita que o prefeito foi morto devido às suas decisões. A Polícia Civil concluiu que Celso Daniel foi vítima de sequestro e que Toninho estava no caminho da fuga de ladrões ao ser morto.
O senador Tião Viana (PT-AC) que tentou evitar a convocação de Carvalho disse que tem medo dos rumos da CPI. ''Meu medo é que a comissão pegue a dor de pessoas inocentes, no caso a esposa de Toninho e a família de Celso Daniel, para isso ter alguma utilização política'', disse.


