CPI vai ouvir Gionédis e Maria Elisa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de maio de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
A CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa que investiga as denúncias de grampos no Palácio Iguaçu vai ouvir na próxima terça-feira, a partir das 17 horas, a ex-secretária da Administração Maria Elisa Paciornik. A ex-secretária, hoje diretora de Relações Governamentais da montadora francesa Renault, denunciou um grampo em seu telefone em outubro de 1999. O caso foi investigado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que detectou a escuta ilegal, mas não encontrou o mandante. A investigação está agora a cargo do 3º Distrito Policial de Curitiba. O ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis também será ouvido pela CPI. Gionédis disse ter sido vítima de escutas telefônicas em 1998. Com ele, são dois integrantes do primeiro escalão do governo Jaime Lerner (PFL) alvos de espionagem.
Gionédis, hoje filiado ao PSC, saiu do governo de forma conturbada. Ele foi demitido pelo governador em novembro do ano passado, por conta de uma reforma administrativa que o substituiu pelo presidente da Copel, Ingo Hubert que acumula os dois cargos. Gionédis que era considerado o secretário mais poderoso de Lerner, tanto por deter as chaves dos cofres do Estado, como pelo bom trânsito que tinha no Legislativo saiu magoado com o governador, segundo fontes próximas aos dois. Os membros da CPI acreditam que o depoimento dele pode trazer grandes revelações.
O presidente da CPI da Telefonia, Tony Garcia (PPB), disse que a comissão vai ouvir o secretário especial da Chefia de Gabinete do governador, Gerson Guelmann, e o chefe da Casa Militar, coronel Luis Antonio Borges Vieira, acusados pelo cabo da Polícia Militar Luis Antonio Jordão de envolvimento em escutas telefônicas ilegais. O cabo Jordão afirmou que diversos membros do primeiro escalão foram vítimas de grampos. Entre eles, a primeira-dama e secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner que não quis comentar o assunto.
Os deputados pretendem ouvir novamente o cabo Jordão, o ex-funcionário da GVT João Batista Cordeiro, o soldado Afrânio de Sá e o ex-funcionário do Palácio Iguaçu Gilberto Maria Gonçalves. Eles foram acareados na quinta-feira, mas os depoimentos foram contraditórios e geraram uma série de dúvidas entre os deputados. Cada um contou uma versão para o episódio do grampo na distribuidora de petróleo Ocidental.
Cordeiro foi preso no dia 4 de abril pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) ao lado de uma caixa de distribuição com minigravadores. Cordeiro admitiu seu erro, mas acreditava que estava fazendo um serviço legal porque teria sido feito a pedido do Palácio Iguaçu. Os deputados cogitaram a possibilidade de pedir a prisão de Gonçalves e dois dois policiais militares, por falso testemunho. O único que confessou que fez algo errado foi o Cordeiro. Os outros ficaram se dizendo inocentes e jogando a culpa um no outro, reclamou o relator da comissão, Algaci Túlio (PTB).
Na quinta-feira, a CPI apreendeu a agenda e as anotações do cabo Jordão, que serão analisados em busca de provas. A CPI aguarda ainda que a Central de Inquéritos finalize a perícia nos equipamentos de telefonia que foram apreendidos nas casas de Gonçalves e de Edgar Fontoura Filho, ex-funcionário da Telepar Brasil Telecom e dono da Defense (empresa que fazia serviços de varredura). A CPI enviou ofício à Siemens, pedindo explicações sobre o armário com central telefônica com capacidade para dois mil troncos ou cinco mil ramais que foi encontrada na casa de Gonçalves. Segundo ele, o armário foi doado pela Siemens e era usado em comitês eleitorais.


