James Alberti
De Curitiba
O delegado Adauto de Abreu Oliveira e sua mulher, a delegada Leila Aparecida Bertolini, serão as primeiras testemunhas a depor na CPI do Narcotráfico sobre a ação do crime organizado no Paraná. O pedido para que eles deponham feito pelo deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) foi aprovado ontem pela comissão parlamentar, o que concretiza a vinda da CPI ao Estado. A CPI do Narcotráfico, que investiga o crime organizado no País, levou à prisão dezenas de pessoas e culminou com a cassação do mandato do deputado do Acre, Hidelbrando Pascoal (PFL).
Os depoimentos ainda não têm data marcada, mas devem ocorrer logo se depender do deputado paranaense. ‘‘Vamos agilizar para o mais rápido possível’’, disse Roque. Segundo o deputado petista, ontem havia ocorrido uma ‘‘enxurrada’’ de pedidos de depoimentos à comissão parlamentar. ‘‘É uma questão de tempo, mas o depoimento está certo’’, afirmou.
No pedido encaminhado ao presidente da CPI do Narcotráfico, Magno Malta (PTB-ES), Padre Roque revela que o delegado e a mulher deverão esclarecer as razões dos seus afastamentos da Força Especial Anti-Drogas (Fera), grupo de elite para combater o tráfico de drogas criado por Oliveira em julho de 1998. Em dezembro do ano passado, o delegado foi transferido da Fera para a direção da Escola de Polícia do Paraná. Hoje está sem função (veja abaixo).
O depoimento de Oliveira e da mulher deverá apontar à CPI do Narcotráfico o envolvimento de policiais civis do Paraná com o tráfico de drogas. Em 1997, o delegado afirmou, em entrevista à Folha, que pelo menos 33 policiais estavam envolvidos com o tráfico. Destes, apenas um, Humberto Terêncio, foi preso. Em 1998, ele foi condenado a 24 anos de prisão. ‘‘Sinto-me orgulhoso em ser considerado importante’’, afirmou Oliveira ao saber do convite para depor. ‘‘Se eu puder ajudar essa CPI e aumentar a segurança do Estado será ótimo.’’
A delegada Leila Bertolini tem a mesma expectativa. ‘‘Vai melhorar muito a segurança pública se a CPI vier ao Paranᒒ, afirmou. Para ela, falta continuidade no trabalho diário da polícia estadual, ao contrário do que ocorre com as investigações da comissão parlamentar. ‘‘Eles têm mais recursos, mais gente. Vão trabalhar em cima de um caso específico e, assim, vão derrubar um monte’’.
À comissão parlamentar, os depoimentos devem apontar a ação de três grupos distintos agindo no Paraná. Todos possuem integrantes da Polícia Civil. Um deles teria conexão com a quadrilha liderada pelo empresário campineiro Willian Walder Sozza. A CPI do Narcotráfico investiga conexões da quadrilha de Sozza com criminosos de Alagoas. O outro grupo seria liderado pelo policial Humberto Terêncio.
O terceiro grupo tem conexões com traficantes dos estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraguai. Essa quadrilha trocaria carros roubados no Estado por cocaína. Os carros são levados do Paraná para o Mato Grosso do Sul e de lá para a Bolívia, onde são trocados pela droga. A cocaína retorna ao Paraná, sendo que parte dela é levada para Santa Catarina e entregue para um traficante de entorpecentes e armas.Depoimentos ainda sem data definida foram aprovados ontem e concretizam a ação da Comissão do Narcotráfico no Estado
Arquivo FolhaCOMPROMETIMENTODelegado Adauto de Abreu Oliveira: ‘‘Se eu puder ajudar a CPI e aumentar a segurança do Estado será ótimo’’

mockup