Curitiba - Um mês depois da divulgação pela imprensa de denúncias contra o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), a mesa executiva da Casa recebeu, na sessão de ontem à tarde, pedido para instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias contra o presidente da Casa. O documento conta com adesão de praticamente todos os vereadores, inclusive dos parlamentares do partido de Derosso. Dos 38 vereadores de Curitiba, 36 assinaram o pedido. Apenas o próprio Derosso e o vereador João do Suco (PMDB), que está viajando, não assinaram o pedido.
Derosso está envolvido em supostas irregularidades em dois contratos de agências de publicidade assinados pelo Legislativo em 2006, quando o tucano já era presidente da Casa. Ele teria favorecido a esposa, que é dona de uma agência de comunicação. Outra denúncia refere-se à contratação de uma cunhada dele para um cargo de comissão, o que caracterizaria nepotismo.
Segundo o líder da oposição, vereador Algaci Tulio (PMDB), autor do requerimento, a CPI terá um prazo de 120 dias para apurar os acontecimentos, com possibilidade de prorrogar os trabalhos por mais 120 dias. A comissão terá nove membros, com representatividade proporcional à presença dos partidos na Câmara. O PSDB, que tem 14 vereadores, terá três membros; o PT, PDT, DEM e PSB, que têm três vereadores cada, terão um representante cada um. Os outros dois componentes devem ser escolhidos em consenso pelos partidos de menor representatividade na Casa.
Essa composição da CPI está gerando polêmica entre os parlamentares. O PV, PMDB, PP e PPS, por exemplo, com dois parlamentares cada, terão que indicar apenas um nome. O problema é que há vários interessados ao posto, entre eles, Algaci Tulio, Paulo Salamuni (PV) e Renata Bueno (PPS), todos defensores da CPI desde que as denúncias vieram a público. O PRB, PSC, PSL e PRP, que têm um vereador cada um também indicarão um representante.
''Vamos fazer uma reunião com o bloco, mas vai acontecer que nós, que brigamos pela apuração, vamos acabar ficando de fora da CPI'', lamenta Algaci Tulio. Para ele, é fundamental garantir uma boa representatividade na comissão, uma vez que dos nove membros, sete serão da base aliada de Derosso. ''Se eles quiserem indicar o presidente e o relator, daí acabou, eu vejo com preocupação o futuro da CPI, ou todo este trabalho pode dar em nada'', afirma.
Algaci Tulio diz que não se surpreendeu com a decisão dos veradores tucanos aderirem ao pedido. ''Não tenho dúvida de que esta CPI é uma vitória da pressão popular e da imprensa'', afirma, ressaltando que a bancada de apoio ''se viu numa posição delicada'' frente à população e teve que assinar.
O Conselho de Ética da Câmara, reunido ontem de manhã, também decidiu marcar uma sessão aberta, amanhã a partir das 14h, para ouvir o depoimento de Derossso. A sessão será aberta ao público e todos os vereadores poderão fazer questionamentos. Segundo o presidente do conselho, Francisco Garcez (PSDB), o órgão tem até o dia 21 para fazer o seu relatório final, o qual ainda será apreciado pela Comissão de Legislação e Justiça, e aberto posteriormente para a defesa.
Derosso também sentiu, ontem, a falta de apoio junto a outros tucanos. de manhã o presidente do PSDB, deputado Valdir Rossoni fez um pedido, durante entrevista à imprensa, para que Derosso saia do PSDB até que as denúncias sejam apuradas.

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