CPI vai investigar narcotráfico no PR
James Alberti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico, que investiga o crime organizado no País, virá ao Paraná, embora não tenha ainda data marcada. Ontem, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) afirmou que o Estado será alvo de investigação da comissão parlamentar. Hauly disse ter conversado pessoalmente com o deputado Moroni Torgan (PFL-CE), relator da CPI do Narcotráfico, que teria confirmado a vinda da comissão. O relator foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado.
Denúncia de quase uma dezena de assassinatos, incluindo a de advogado de Curitiba nesta semana, apressa vinda da comissão
Na avaliação do deputado tucano, o crime organizado no Paraná é tão grave quanto em outros Estados. Somos a quinta economia do País e o crime organizado deve ser proporcional, disse. Para Hauly, o tráfico de drogas seria o maior problema no Estado, que já tem 11 casas de câmbio sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Estima-se também que quase uma dezena de mortes ocorridas no Paraná estejam ligadas diretamente ao narcotráfico.
O secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, acredita, no entanto, que o crime organizado não atua no Estado. Segundo o assessor de imprensa da secretaria, Valdir Bicudo, as mortes não têm relação com o narcotráfico. Isso não é verdade, disse. Pouco depois, no entanto, o próprio Bicudo diz que uma ou outra morte pode até ter alguma ligação. Conforme o delegado Jaime Luz, da Delegacia de Homicídios, ocorreram diversos crimes em locais críticos de Curitiba. Casos que realmente tinham ligação com o tráfico de drogas, disse.
No Paraná, a CPI também deverá investigar a denúncia feita em 1997, pelo então delegado da Delegacia de Antitóxicos de Curitiba, Adauto Abreu de Oliveira, de que 33 policiais estão ligados ao tráfico. Um desses policiais, Humberto Terêncio, foi preso no ano passado com 11 quilos de cocaína.
Na avaliação de um delegado do alto escalão da Polícia Civil do Paraná, que preferiu não se identificar, a execução do advogado Luiz Renato Cardoso Crovador, na quarta-feira, em Curitiba, pode acelerar a vinda da comissão parlamentar, mesmo que o crime tenha tido apenas motivações passionais. Crovador (leia mais em Folha Cidades) era conhecido como defensor de traficantes, assaltantes e policiais corruptos. O crime organizado está se articulando no Paraná. E esse advogado era do esquema, afirmou o delegado.
Um outro delegado curitibano, que trabalhou na investigação do tráfico de drogas no Estado, acredita que a CPI poderá encontrar relação dos crimes ocorridos no Paraná com a quadrilha de Campinas (SP) chefiada por Willian Walder Sozza, foragido desde que sua prisão preventiva foi decretada pela Justiça, há 22 dias.
O delegado revelou que em 98 investigava o envolvimento de um suspeito no tráfico de drogas e havia grampeado o telefone de sua casa. Nas gravações, entregues à Justiça, o suspeito conversou com uma pessoa que teria roubado um caminhão no Mato Grosso, para tentar descontar cheque roubados em Curitiba. Depois, o suspeito teria ligado para Campinas para falar com Sozza.
O delegado disse ainda ter ficado surpreso quando Sozza foi apontado pela CPI como o líder do crime organizado. A CPI apontou a cidade como o centro de uma organização que atua no roubo de cargas, tráfico de drogas e armas, conforme informou a Folha.





