CPI vai acarear ex-gerentes do Banestado
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sexta-feira, 08 de agosto de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na próxima segunda-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Assembléia Legislativa para investigar, entre outras coisas, a privatização do Banestado, vai promover a acareação entre os ex-gerentes do banco, hoje de propriedade do Itaú. Deverão comparecer o ex-gerente Eraldo Ferreira, da área de negociação de câmbio, em Curitiba, que já prestou depoimento, e também os dois ex-gerentes Ércio de Paula Santos e Valdir Antonio Perin, da agência do Banestado em Nova York, cujos depoimentos foram determinados pelo juiz Sergio Moro, da 2 Vara Criminal Federal, na última quarta-feira.
''Vamos contrapor os gerentes responsáveis pelo envio e pelo recebimento dos dólares'', disse o presidente da CPI, deputado estadual Neivo Beraldin (PDT). O deputado não descartou a possibilidade de determinar que parte da sessão seja secreta, se ele entender que os questionamentos dos deputados enveredarem para temas que envolvem sigilo bancário. ''Queremos saber como foi montado o esquema da remessa ilegal de dinheiro'', afirmou.
Beraldin disse ainda que não interpretou como um ''puxão de orelhas '' a presença do advogado Elias Mattar Assad, como representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acompanhar as sessões da CPI daqui para frente. A decisão da OAB foi adotada depois do tumulto ocorrido na última quarta-feira, envolvendo advogados dos ex-gerentes do Banestado e o presidente da CPI. Segundo Beraldin, a OAB foi convidada a participar das sessões desde quando a comissão foi instalada e ''por isso já devia estar participando desde o início'', insistiu. Beraldin disse ainda que nunca se opôs à presença de advogados que acompanham os depoentes.
O advogado Alessandro Silvério, que defende os ex-gerentes Ercio e Valdir e que se envolveu no tumulto com o presidente da CPI, insiste que seus clientes não devem ser fotografados e nem filmados. Para Beraldin, o direito de imagem não pode ser utilizado para impedir as invetigações sobre atos lesivos ao patrimônio público. Segundo o deputado, até o Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou, enfocando que o interesse público prevalece sobre o interesse do particular.
Essa divergência foi o motivo do tumulto. Silvério argumentou que há um clima de denuncismo no País, que está ignorando o direito à individualidade das pessoas. Silvério está entrando com uma queixa-crime pelo crime de injúria e também com uma representação na OAB contra o presidente da CPI porque ele considera que foi afrontado no exercício de sua profissão. Segundo o advogado, Beraldin mostrou que é ''despreparado intelectual e psicologicamente'' ao dar voz de prisão a um advogado que estava trabalhando.


