A acareação entre o ex-secretário Luis Antônio Paolicchi e o traficante José Maria Menezes Montalvão (e não Montalvan, como foi grafado ontem), marcada pela CPI Estadual de Narcotráfico para ontem em Maringá, foi transferida para a próxima terça-feira, em Curitiba. Os deputados integrantes da CPI nem chegaram a instalar a comissão, por falta de entendimento com os advogados de Paolicchi. A defesa não quis que a acareação fosse aberta à imprensa. ‘‘Existia até ontem o acerto para que Paolicchi colaborasse, mas hoje a defesa dele alega ameaças e tiros’’, contou o deputado Algaci Túlio (PTB), presidente da CPI.
Um dos advogados do ex-secretário, Wagner Brusculo Pacheco, disse que Paolicchi concorda em colaborar com a CPI, mas exige preservar a privacidade. Pacheco garante que não existem ‘‘ameaças ou tiros’’ e que em nenhum momento alegou outro motivo a não ser a preservação da imagem de Paolicchi para impedir a acareação. ‘‘Vamos tentar impedir de todas as formas que ele saia daqui, onde está em segurança’’, adiantou o advogado sobre a possibilidade de os trabalhos serem realizados em Curitiba.
Antes de deixar o 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM), onde Paolicchi está preso e deveria ser ouvido pela CPI, Pacheco disse que a apresentação dele em Curitiba depende da Justiça Federal. O coronel Gilberto Kummer, comandante do 4º BPM, disse que desconhece tiros ou ameaças contra Paolicchi. Kummer conta que a partir da divulgação do depoimento do ex-secretário, acusando outras pessoas pelo desvio de dinheiro da prefeitura, redobrou a segurança.
Além de Algaci Túlio, os deputados Ricardo Maia (PPS), Ricardo Chab (PTB) e Serafina Carrilho (PL), estiveram em Maringá. Segundo o presidente da CPI, a acareação foi pedida depois que o nome de Paolicchi foi citado por várias pessoas ouvidas pela comissão. Fora Montalvão, o empresário Hissan Hussein Dehaini, preso em Curitiba acusado de envolvimento com o narcotráfico, também alega ter feito negócios com o ex-secretário. Os advogados de Paolicchi garantem que ele ‘‘apenas comprou um helicóptero de Hussein.’’
O relator da CPI, Ricardo Chab, disse que todas as acareações foram abertas ao público, ‘‘inclusive em locais com menos segurança’’ e que, por isso, os deputados não poderiam aceitar um trabalho secreto. ‘‘Se não há o que esconder por que ele quer evitar a acareação pública?’’, questionou. Chab adiantou ainda que a CPI vai relatar à Assembléia Legislativa o que aconteceu em Maringá.
O advogado Tomaz Belasques, que defende Montalvão, também reclamou por não ter sido convocado para a acareação há mais tempo. Ele alega ainda que o traficante, preso em agosto do ano passado em Maringá com seis quilos de cocaína, não falou nada oficialmente até ontem.
A proibição da entrada de civis ontem no quartel da PM obrigou a missionária Eliude Prado a voltar para casa sem conseguir ‘‘orar’’ com Paolicchi. Ela chegou com outra evangélica, ambas com bíblicas nas mãos, alegando ter sido chamada pelo ex-secretário para fazer orações. ‘‘Ele me ligou e pediu para que eu viesse orar’’, explicou. Kummer garantiu que Paolicchi não tem acesso a telefone. ‘‘A missionária ligou no meu celular quando eu estava com ele’’, afirmou Pacheco.
Eliude disse à Folha que conheceu Paolicchi há cerca de um ano, quando ele começou a frequentar a igreja. ‘‘A gente orava junto, mas nunca conversamos sobre a vida particular’’, contou. Antes de se tornar evangélico, Paolicchi era católico fervoroso.
Segundo a missionária, a idéia era fazer uma oração ‘‘em nome de Jesus para libertar os oprimidos e enfermos’’. ‘‘Se ele deve, Deus e os sábios vão julgar’’, disse.

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