A CPI da Assembléia Legislativa que está investigando o tráfico de drogas no Paraná criou uma força-tarefa para ajudar nas investigações das denúncias enviadas à comissão. Além da ajuda dos integrantes do Ministério Público e de policiais federais, a CPI conta, desde ontem, com a participação efetiva de dois delegados da Polícia Civil (os nomes ainda não foram definidos) e dois oficiais do Serviço de Inteligência (P2) da Polícia Militar. ‘‘Eles vão preparar o terreno para que possamos desenvolver melhor o nosso trabalho, sem atravessar as investigações já realizadas pela CPI Nacional’’, destacou o presidente da CPI, Algaci Túlio (PTB).
A criação da força-tarefa foi definida ontem, na primeira reunião da comissão, que contou com a presença do comandante geral da PM, coronel Guaraci Moraes Barros, e dos delegados Roberto Nascimento e João Manoel Dias, representantes do delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, que estava em Brasília.
‘‘Se não trocarmos informações com as comissões municipais e as CPIs de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, nosso trabalho não vai adiantar nada. Temos fortes indícios de que o crime organizado tem ramificações em todos estes Estados’’, disse o deputado. Túlio garantiu que a CPI Estadual vai trabalhar sem se preocupar com ‘‘os holofotes’’. ‘‘Vamos agir com muita cautela para não execrar pessoas publicamente. A CPI não vai servir de palanque eleitoral’’, aposta.
Segundo Túlio, a força-tarefa deve priorizar o levantamento de informações sobre os crimes cometidos nos municípios da RM de Curitiba nas últimas duas semanas. ‘‘Estamos intrigados porque não sabemos se está ocorrendo uma guerra entre traficantes ou se está ocorrendo queima de arquivo’’, argumentou o presidente da Comissão de Segurança Pública da AL, Luiz Carlos Alborguetti (PFL), que atuará como observador na CPI.
Para depor na quarta-feira da próxima semana, foi convocada a traficante Eva Antônio Silveira Costa, a ‘‘Evinha do Pó’’, que comandava o tráfico de cocaína na região de Santa Felicidade. A polícia suspeita que os filhos dela sejam os responsáveis pelo assassinato, na última segunda-feira, de outro traficante, Roberson Carlos dos Santos, o ‘‘Juruna’’, conhecido como ‘‘Rei do Crack’’ na Vila Nossa Senhora da Luz. O relator da CPI, Ricardo Chab (PTB), acredita que nas últimas semanas, cerca de 20 crimes cometidos na RMC podem ter relacionamento direto com o tráfico de drogas.

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