CPI terá acesso a números grampos em 2007
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segunda-feira, 14 de julho de 2008
Maria Clara Cabral<br>Folhapress 
Brasília - A CPI das Escutas Telefônicas terá acesso a todos os números de telefones fixos e móveis grampeados no país em 2007, assim como aos mandados judiciais com a justificativa da autorização de cada grampo.
As informações, pedidas pelo relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), devem chegar ao Congresso até o começo de agosto. O requerimento foi aprovado em votação simbólica no começo do mês. Na sessão, Pellegrino justificou o seu pedido dizendo que era preciso ter ''a real dimensão do que e que tipo de interceptações foram realizadas''.
Nenhum parlamentar da oposição se opôs ao pedido. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), no entanto, que ingressou na CPI só na semana passada, disse que verificará o critério do requerimento, pois dados como os números de telefones grampeados podem prejudicar ou ajudar muitos.
Pellegrino, que pode pedir também as informações sobre os números grampeados no primeiro semestre deste ano, disse que todos os dados serão mantidos em sigilo e que eles são essenciais para checar, por exemplo, se ''as interceptações estão realmente banalizadas''.
Números levantados pela CPI junto as operadoras de telefone mostram que, em 2007, 409 mil grampos foram autorizados. As estimativas do relator são as de que cada pessoa grampeada conversa, em média, com outras dez pessoas durante o período da interceptação, o que representa que cerca de 4 milhões de pessoas tiveram suas conversas gravadas em 2007.
Ainda de acordo com a CPI, o índice deve ter aumentado em 10% em 2008.
Dados enviados à comissão por só uma grande operadora mostram que nos dois primeiros meses foram feitas 3840 interceptações.
A CPI das Escutas Telefônicas foi instalada para apurar denúncias de grampos realizados em gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Até agora, no entanto, nada foi provado sobre o caso.
Hoje, a CPI votará requerimentos de convocação do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-ministro Luiz Gushiken e do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Também há pedidos de informações para a Polícia Federal e para a empresa americana Kroll sobre a Operação Chacal, deflagrada pela PF em 2004.


