CPI tentava prorrogar trabalhos por 30 dias
Ninguém contestou quando a deputada Perpétua Almeida (PC do B-BA) disse, claramente, que os governistas faziam corpo mole na CPI, quando a oposição queria investigar denúncias de corrupção que envolviam o governo e os aliados. Da mesma forma, a oposição é que mostrava o desinteresse pelo inquérito, quando a pauta da CPI eram as denúncias de compra de voto para a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mas, segundo o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), que bateu boca com o relator na sessão de ontem, nem mesmo o pouco que foi investigado e comprovado aparece no documento. Os técnicos da CPI haviam comprovado o pagamento de um ''semanão'' ao PL do ex-deputado Valdemar Costa Neto, o que foi denunciado pelo tucano na CPI. Abi-Ackel até fez menção aos ''gráficos elaborados por Redecker'', demonstrando a ''coincidência temporal'' entre ''o maior volume de parcelas financeiras transferidas'' e a votação no plenário da Câmara de matérias de ''especial interesse'' da administração federal.
''A despeito dos sinais que aparentam correlação de causa e efeito, é arriscado acolhê-los como elemento de prova do recebimento de vantagens financeiras indevidas'', argumentou Abi-Ackel no relatório. Inconformado com o fato de o relator ter preferido acatar a tese do caixa dois de campanha ao pagamento de mesada denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Redecker promete apresentar um ''voto sem separado'' no plenário da Câmara.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que poderia reativar a CPI do Mensalão se fossem apresentadas até a meia-noite de ontem as 171 assinaturas necessárias para a prorrogação da comissão por mais 30 dias. Até o fechamento desta edição, já havim 130 assinaturas favoráveis. (A.E.)





