Curitiba - Integrantes da CPMI dos Correios estiveram ontem, em Brasília, reunidos com o embaixador dos Estados Unidos (EUA), Jonh Danilovich, com o intuito de facilitar a liberação dos documentos referentes à quebra do sigilio bancário do publicitário Duda Mendonça. Depois que o publicitário informou em seu depoimento à CMPI, no início de agosto, que recebeu dinheiro para as campanhas de 2002 do suposto caixa 2 do PT por meio de contas no exterior, o Ministério da Justiça, o Ministério Público (MP) Federal e a Polícia Federal solicitaram os documentos por meio de um acordo de cooperação criminal entre os dois países. Porém, a CPMI ficou de fora.
A reunião com o embaixador foi para pedir que ele intervenha junto ao Departamento de Justiça norte-americano e também para tratar da ida de uma comitiva oficial da CMPI a Nova York, na próxima semana, e entregar à promotoria distrital uma carta-compromisso, onde garante o sigilo total das informações compartilhadas. Um acordo assinado entre a promotoria distrital de Nova York e o Ministério da Justiça exclui as Comissões Parlamentares para evitar episódio semelhante ao ocorrido em 2004, quando informações sigilosas passadas à CPI do Banestado foram divulgadas para a imprensa.
Segundo o sub-relator de Movimentação Financeira da CPMI, deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), caso esta alternativa não dê certo, pode-se buscar outras opções como pedir a documentação ao tesouro norte-americano. ''É importante a quebra do sigilo para a CPMI porque eles têm os nomes dos titulares das contas que depositaram dinheiro na conta do Duda'', explicou o deputado. Outro ponto destacado pelo deputado é o tempo. Como a CPMI tem vida curta, é preciso que os documentos cheguem o quanto antes.
A documentação referente à quebra do sigilo bancário do publicitário deve chegar aos três órgãos que conseguiram acesso em duas semanas. A missão oficial que vai à Nova York representando a CMPI deve ser composta por Fruet, pela senadora Ideli Salvati (PT-SC) e pelo presidente da CPMI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Duda Mendonça informou à CPMI que recebeu R$ 10 milhões de Marcos Valério referentes a dívidas da campanha de 2002. Os depósitos eram feitos em nome da empresa offshore (empresas abertas em paraísos fiscais que têm como finalidade receber capital ilícito, cujos documentos de abertura não incluem informações sobre seus verdadeiros donos, mas sim sobre os beneficiários, espécie de procuradores, que possuem o direito de realizar movimentações e transações) Dusseldorf aberta nas Bahamas, segundo o publicitário, a pedido de Valério. A conta é de Miami, mas a sede do banco é em Nova York.

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