Brasília - A CPI dos Correios pretende quebrar o sigilo da operação bancária na qual a Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar (PL-SP), recebeu R$ 1 milhão do PT, em espécie, como pagamento de parte de uma dívida das campanhas municipais de 2004. Para integrantes da comissão, esse dinheiro saiu do caixa dois do partido. O objetivo da quebra de sigilo é identificar quem levou os recursos à Coteminas e assim tentar rastrear a origem do dinheiro. O presidente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Antônio Rodrigues, disse ao relator-adjunto da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), que o depósito no Bradesco foi feito por um funcionário da empresa.
No comprovante da operação bancária aparece um dos CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) do PT como depositante. Segundo Josué Gomes da Silva, filho de Alencar e presidente da Coteminas, o dinheiro foi levado ''por uma senhora'' do partido, de cujo nome disse não se lembrar. Integrantes da CPI querem identificar o funcionário da Coteminas que fez o depósito para pressioná-lo a dizer quem é a mulher que fez o pagamento para o PT. ''Um funcionário de menor escalão estará mais disposto a dizer quem é essa mulher misteriosa'', afirmou Paes.
Questionado sobre a hipótese desse funcionário ter apenas cumprido ordens e não saber quem levou o dinheiro até a empresa, o deputado afirmou que ''ninguém deposita R$ 1 milhão se não for muito de confiança''. Nenhum integrante da CPI aventou a possibilidade de convocar Josué para depor. O relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), também pretende pedir à Polícia Federal que faça diligências para identificar essa mulher. A principal suspeita da CPI é que seja Solange Pereira, que trabalhava para o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A comissão chegou a agendar seu depoimento para o último dia 16 mas ela não foi encontrada pela Polícia Federal, então não recebeu a intimação.

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