CPI tenta desvendar composição da tarifa do pedágio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de abril de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os estudos sobre a composição das tarifas iniciais do pedágio foram feitos por empresas que participaram direta ou indiretamente do assessoramento de interessadas no edital de concessão de rodovias. De acordo com a diretora e sócia da empresa Cyro-Laurenza, Vera Beznos, ouvida ontem pela CPI do Pedágio, foram feitos estudos encomendados pela equipe de campanha de Jaime Lerner em 1994 e estudos encomendados pela Secretaria de Estado dos Transportes em 1995. No entanto, a empresa assessorou algumas empresas na estrutura operacional da proposta licitatória. Atualmente, ainda são feitas assessorias e levantamentos para a Rodonorte e a Ecovia.
O diretor de engenharia da Engefoto, outra empresa que participou do processo de estudos de implantação do pedágio nas rodovias que compõem o chamado ''Anel de Integração'', Djalma Martins Pereira, negou que a empresa tenha participado da elaboração de propostas durante o período licitatório. Atualmente, a empresa faz estudos para a Rodonorte e a Ecovia. ''Não dá para dizer que isso seja suspeito, mas é algo que teremos que nos aprofundar. Será que uma empresa que faz a modelação para o Estado pode participar de alguma forma do processo licitatório? É isso que teremos que saber'', questionou o deputado petista André Vargas, presidente da CPI do Pedágio.
Os estudos preliminares feitos pela empresa foram apresentados ontem, mas poderão ser reapresentados futuramente. ''Pode ser que depois de ouvirmos todos os responsáveis por pesquisas sobre tarifas de pedágio, tenhamos que fazer uma acareação entre eles. É possível que eu tenha que me aprofundar nesse tema e que os convocados de hoje sejam novamente chamados para o esclarecimento de dúvidas que surjam no caminho'', complementou.
A proposta inicial das empresas modeladoras demonstraram que 90% dos usuários das rodovias analisadas para implantação do pedágio eram favoráveis ao pedágio. Destes, 90% queriam que o valor da tarifa fosse de R$ 1,00. No entanto, a análise das empresas demonstrou que a tarifa justa para o que o Estado precisava (recuperação, restauração, ampliação e melhoria, manutenção periódica) variava entre R$ 0,033 (por eixo em rodovias simples a cada quilômetro rodado) e R$ 0,044 (em rodovias duplicadas). ''Não se chegou a esse valor sem estudos. Foram estudos aprofundados, complexos. Analisamos desde o fluxo de veículos nas rodovias até as obras que teriam que ser feitas previamente e durante 24 anos)'', afirmou Vera.
As empresas apresentaram comparativos com outros estados. A tarifa mais cara era a Padre Manoel da Nóbrega (SP) que cobrava R$ 0,088. Os estudos demonstraram que o fluxo de veículos era diferenciado e varia entre 3 a 21 mil por dia. As rodovias foram então divididas em lotes para compensar esta diferenciação. O lote que ficou com a rodovia Londrina-Maringá, por exemplo, que tem grande fluxo de veículos, teve que pegar outra rodovia com pouco fluxo: Cascavel-Apucarana.


