Belo Horizonte - O presidente da Coteminas, Josué Christiano Gomes da Silva, disse ontem que só o PT pode responder sobre a origem do R$ 1 milhão depositado em dinheiro na conta da empresa em maio deste ano. O montante, segundo o filho do vice-presidente da República, José Alencar, refere-se ao pagamento de uma parte da dívida do Diretório Nacional petista com a companhia têxtil, contraída pelo fornecimento de 2,75 milhões de camisetas, confeccionadas para serem usadas como material de propaganda na campanha eleitoral do ano passado. A CPI dos Correios suspeita que o caixa 2 da legenda pode ter sido usado para o pagamento.
À Agência Estado, Josué confirmou que negocia ''insistentemente'' com a nova direção do PT a quitação do débito, no valor atualizado de ''mais de R$ 12 milhões''. Mas disse que tem a ''convicção'' de que a dívida será paga. Ele, porém, deixou claro que o partido só terá crédito com a maior indústria têxtil do País nas próximas eleições se fizer o pagamento à vista.
''A norma da empresa é que, obviamente, um cliente que está em mora não pode gozar de novo crédito sem que esteja acertada e regularizada a situação anterior. Agora, se ele vier encomendar camisetas com pagamento à vista, não tem também porque deixar de fornecer para qualquer cliente'', afirmou.
De acordo com Josué, a Coteminas emitiu um ''recibo parcial'' ao PT pelo depósito em dinheiro de R$ 1 milhão. O empresário reiterou que não tem motivos para duvidar da origem dos recursos.
''Essa é uma pergunta boa para ser feita para o Partido dos Trabalhadores, concorda? A nossa empresa faturou mercadorias através de notas fiscais, tem o valor em aberto, recebeu recursos, depositou na conta corrente da companhia o valor recebido e levou a crédito do fornecedor, que é nossa obrigação''.
Proposta - O então presidente provisório do PT, o ex-ministro Tarso Genro, fez uma proposta de pagamento do débito em 48 parcelas mensais sucessivas, mas a direção da Coteminas não aceitou. ''Fizemos ver ao partido que (a proposta) é incompatível com a atividade produtiva'', observou Josué.
Ele salientou que a dívida com o partido foi faturada por meio de 50 notas fiscais de serviço, entre os dias 09 de setembro e 18 de outubro de 2004. O débito total na época era de R$ 11,031 milhões e deveria ser quitado no prazo médio de 90 dias, com vencimento nos meses de novembro e dezembro de 2004 e janeiro de 2005.
Alegando dificuldades financeiras, a antiga direção petista, na época composta, entre outros, pelo então presidente José Genoino e o tesoureiro Delúbio Soares, procurou a Coteminas para solicitar a prorrogação dos vencimentos. ''Essa prorrogação foi concedida e, obviamente, incorporado os juros ao valor principal''.
A dívida deveria ser paga em três parcelas iguais, sempre no dia 15 dos meses de março, abril e maio deste ano. ''Infelizmente, novamente venceu a primeira parcela, não puderam pagar; a segunda parcela, não puderam pagar. Vieram a pagar este R$ 1 milhão em maio. E ainda existe um débito em aberto que temos conversado insistentemente com o partido para a quitação. Este débito, hoje, atualizado já monta mais de R$ 12 milhões'', disse Josué.
Até o momento, o presidente da Coteminas confia na negociação com a nova direção do partido e não fala em outras medidas para receber o valor devido. ''Acho que vão nos pagar em parcelas no decorrer dos próximos meses'', disse. ''Até porque, em hora nenhuma ninguém do partido deixou de afirmar categoricamente que a dívida seria quitada''.

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