Carmem Murara
De Curitiba
A empresa ANR Materiais de Construção Ltda, com sede no município de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), está na lista de suspeitas da CPI do Narcotráfico como sendo de fachada para acobertar o tráfico de drogas de Fernandinho Beira-Mar. A empresa estava no nome do traficante carioca até o final de 1996, quando foi transferida para Ricardo Barcellos, amigo de infância de Beira-Mar. Barcellos negou ontem as acusações de que a loja seja um entreposto para a venda de drogas.
Entrevistado pela Folha, no meio da tarde de ontem, o comerciante assegurou que só trabalha com a comercialização de material de construção. Ele disse que os moradores do bairro, onde vive com a mulher Luciana Aparecida Mendes Davin e com uma filha pequena, conhecem-no bem e por isso ele assegura que não tem medo de nenhuma investigação policial.
Barcellos contou que chegou a Colombo no final de 1994. Ele disse que estava desempregado, quando se encontrou com Beira-Mar no centro da cidade de Duque de Caxias (RJ), onde moravam. Depois de uma rápida conversa, o traficante ofereceu a ele emprego de gerente da loja de material de construção, na Região Metropolitana de Curitiba. A loja tinha sido aberta em 94 por Beira-Mar, e segundo Barcellos, o próprio Fernandinho Beira-Mar a controlava.
Meses depois, Barcellos se mudou para Colombo e passou a cuidar do estabelecimento comercial, que fica na localidade de Guaraituba. ‘‘Isso tudo aqui já foi dele (Beira-Mar), mas hoje não tem mais nada a ver. Comprei a loja e fiz um péssimo negócio, porque agora tá dando essa dor de cabeça, ou melhor, pode dar dor de cabeça’’, disse, ao se referir ao caso da CPI do Narcotráfico. Barcellos contou que chegou a vender um apartamento para investir na loja.
O relacionamento entre Beira-Mar e Barcellos começou ainda na infância, durante o período de colégio. Os dois estudaram juntos em Duque de Caxias. Entretanto, o comerciante garante que eles nunca foram amigos, mas apenas ‘‘conhecidos’’. Barcellos nega também que soubesse do envolvimento do ex-patrão com o tráfico de drogas. Quando soube, teria decidido comprar a loja de Beira-Mar. ‘‘Soube disso em 96 e aí decidi comprar a loja para não ter mais relação com ele’’, afirmou.
Durante todo o tempo que está em Curitiba com a família, o comerciante diz que só foi procurado uma vez pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Ele disse que depôs quando Beira-Mar foi preso em Minas Gerais, em 1995. Mas ele desconfia que tem sido alvo de investigações secretas. Ele sabe também que mais dia menos dia vai ser procurado, novamente, por policiais devido ao caso ter tido repercussão nacional. Barcellos disse que não vê Beira-Mar desde 1996, quando adquiriu a loja.
A loja de Barcellos foi descoberta depois que a polícia do Rio de Janeiro encontrou uma relação dos bens e imóveis do traficante. Nos documentos ainda aparecia a loja de material de construção como uma das empresas de Beira-Mar. A lista foi encaminhada para os membros da CPI do Narcotráfico. A CPI espera contar com a ajuda da Polícia Civil e Federal, no Paraná, para descobrir se há outros negócios do traficante na cidade ou mesmo no interior do Estado.Traficante carioca vendeu para amigo de infância negócio de material de construção localizado em Colombo, na RM de Curitiba
Mauro FrassonNEGÓCIOFrente da loja de material de construção fundada por Beira-Mar: novo dono diz que ‘‘não tem mais nada a ver’’

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