Curitiba A deputada Elza Correia (PMDB) enfrentou ontem a primeira dificuldade doméstica dentro da Assembléia Legislativa para tirar do papel a CPI Sercomtel/Copel, que pretende investigar a compra de 45% das ações da Sercomtel, a empresa municipal de telefonia, pela Copel. O negócio, realizado em 1998, durante a gestão do ex-prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), movimentou R$ 186 milhões. Elza requereu a CPI e ontem teve que obter novamente as assinaturas este foi o primeiro teste.
A mesma CPI, que espera apurar também o comércio de energia da Copel, abriu formalmente ainda mais o leque. Ângelo Vanhoni (PT), líder governista, disse ontem que Elza teria que incluir expressamente no requerimento a investigação da compra de venda de títulos e créditos tributários por parte da estatal de energia, e colher novamente assinaturas de apoio. Isso permite que os deputados investiguem especificamente a aquisição de créditos tributários da Olvepar, empresa esmagadora de soja com falência decretada no ano passado e que teve a ajuda do doleiro Alberto Youssef durante a operação.
Enquanto Elza considera prioritário dissecar o processo da compra das ações, o restante da bancada do governo tem mostrado mais interesse na Copel como um todo. Para evitar um possível atraso na instalação da CPI depois do Elza alterou o requerimento ontem mesmo e teve que colher novamente cerca de 40 assinaturas de apoio à CPI (o mínimo necessário são 18 assinaturas).
Apesar do contratempo, Elza está confiante na criação da CPI. Só que a ampliação do leque de investigações pode trazer problemas futuros. Exemplo disso foi a CPI da Telefonia, para apurar denúncias de cobranças abusivas pelas operadoras que acabou investigando um suposto esquema de grampos no Palácio Iguaçu. O TJ suspendeu os trabalhos da comissão por entender que houve desvio do objetivo inicial.
Elza, que quer presidir a comissão, já defende a divisão da CPI (de nove membros) em subcomissões. Se isso acontecer, elza ficará na subcomissão da Sercomtel. ''Não abro mão de investigar essa compra de ações. Temos a obrigação de levantar essa cortina de fumaça que paira em relação à transação'', disse. ''Queremos saber quem foram os atores, os diretores, e o autor do texto dessa operação'', completou. Elza quer entender porque a Prefeitura de Londrina devia um empréstimo de R$ 22 milhões ao Banco FonteCindam, e na venda de ações da Sercomtel teria repassado ao FonteCindam R$ 47 milhões para saldar a dívida. Ela lembra que analistas de mercado garantiram, na época, que o valor real da dívida seria de R$ 8 milhões.
O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), abre prazo de 10 dias, a partir desta quarta-feira, para que os partidos indiquem membros para as cinco CPIs. Além do caso Sercomtel/Copel, os deputados propõem CPIs para investigar o Banestado, pedágio, Paranacidade e Jogos Mundiais da Natureza. O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), deve acompanhar com atenção as investigações em torno da Sercomtel. Ele acreditar que os cofres municipais têm ''recursos em haver'' que poderiam alcançar R$ 20 milhões. (Maria Duarte e Cristiane Oya)