CPI reconvoca ex-diretores do Banestado
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segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Maigue GuethsEquipe da Folha 
Curitiba - Os depoimentos prestados ontem de manhã à CPI do Banestado pelos ex-diretores da Banestado Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Paulo Roberto Gonçalves da Silva, Paulo Roberto do Nascimento de Macedo, Carlos Antonio Valente Castro e Raul Félix não convenceram os deputados. Por isso, os parlamentares decidiram reconvocar alguns depoentes para nova sessão, amanhã, na qual terão suas versões confrontadas com outros diretores e funcionários do banco.
Entre as operações investigadas, os parlamentares querem mais explicações sobre uma operação que envolveu o Banestado e a Sercomtel. O banco adquiriu R$ 12 milhões em ações da empresa de telefonia londrinense. Os deputados, no entanto, acreditam que a operação, na verdade, foi uma forma de camuflar um empréstimo para a Prefeitura de Londrina, e não compra de ações. O ex-diretor da Banestado Corretora, Raul Félix, negou que se tratasse de um empréstimo. ''Nós vamos averiguar se esse dinheiro entrou na prefeitura e onde foram parar essas ações'', explicou o presidente da CPI, deputado estadual Neivo Beraldin (PDT).
A CPI também vai confrontar amanhã as versões de Félix com as de outro ex-diretor da Corretora Rodrigo Pereira Gomes Junior, que foi convocado ontem mas não compareceu à sessão. Gomes Junior, junto com seus irmãos, o prefeito de Araucária e ex-deputado estadual Albanor Gomes e Lincoln Gomes, seriam diretores do grupo Megacred, empresa que atuou em sociedade com a Banestado Corretora, e que pediu concordata em 2001. Este ano foi decretada falência da empresa que deixou uma dívida de cerca de R$ 70 milhões junto a 1,1 mil pequenos credores. Após deixar o Banestado, em 1998, Félix também entrou para a diretoria da Megacred. ''Isso é irregular. Se eles eram diretores do Banestado não poderiam estar nesta empresa também'', disse Beraldin.
Amanhã, a CPI também ouvirá novamente José Schlapak, que entre 1995 e 1999 foi responsável pela Assessoria de Comunicação (Ascom) do Banestado, setor que gerenciava a publicidade do banco. Neste período, de acordo com a CPI, há registros de gastos na ordem de R$ 80 milhões em publicidade em nome do banco, sendo que apenas R$ 9 milhões teriam sido gastos efetivamente em propaganda do Banestado. Em seu depoimento, ontem, Schlapak afirmou apenas que todas as operações eram autorizadas inicialmente pela Secretaria de Estado de Comunicação Social ou pelo presidente do banco.
Além das investigações da CPI da Assembléia, nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, os deputados federais e senadores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura o envio de dinheiro ilegal para o exterior via contas CC-5 do Banestado, também estarão em Curitiba. A CPMI teve os trabalhos prorrogados por 180 dias.


