Brasília - A oposição entregou ontem mais 23 assinaturas de deputados que apoiam a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara e do Senado para investigar denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Desse total, 18 adesões são de deputados de partidos da base aliada: nove do PMDB, três do PTB, duas do PT, duas do PL e duas do PC do B. No total, 24 deputados aderiram ontem à CPI o deputado João Paulo Gomes da Silva (PL-MG), que havia retirado sua assinatura do pedido, voltou a assiná-lo. As adesões também cresceram no Senado: o senador Jonas Pinheiro (PFL-MT) assinou o requerimento. Ontem à noite, o requerimento tinha a assinatura de 242 deputados e 50 senadores.
''Temos mais três assinaturas que ainda vamos apresentar. É impossível que o governo consiga retirar tantas assinaturas para barrar a CPI'', afirmou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). As três assinaturas que deverão ser apresentadas hoje são de pefelistas baianos: Gerson Gabrielle, Marcelo Guimarães e José Carlos Bacelar. ''O governo pode gastar o dinheiro que quiser, mas a CPI já é fato consumado. Quem retirar a assinatura e receber dinheiro de emenda ao Orçamento vai ter sua foto publicada no jornal'', disse ACM Neto.
Dos 91 deputados da bancada do PT, 19 assinaram o requerimento foram 17 até sexta-feira e ontem mais dois petistas (Paulo Rubem Santiago e Maninha) aderiram à CPI. Para o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA), os petistas que não retirarem a assinatura do pedido de CPI ficarão isolados na bancada. ''Vamos convencer nossos companheiros a entender esse momento político. Não há enquadramento, há convencimento político. Eu acho que estes que não retirarem a assinatura dentro da bancada ficarão isolados. É uma minoria'', disse Rocha.
Apesar das adesões à CPI estarem crescendo, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), está confiante de que conseguirá impedir a criação da CPI. ''Acho possível haver a retirada de assinaturas em número suficiente para não acontecer a CPI. O tempo é naturalmente curto tanto para retirar quanto para aumentar o número de assinaturas'', ponderou o líder petista. Para criar a CPI mista são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. ''O governo não vai conseguir retirar tantas assinaturas. Nem mesmo se usarem métodos heterodoxos'', afirmou o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcou para amanhã, às 10 horas, a leitura do requerimento de criação da CPI dos Correios. Os parlamentares têm até a meia-noite de quarta-feira para retirar ou acrescentar assinaturas ao pedido de CPI. Se for confirmada a criação da CPI, o presidente Renan vai enviar ofício aos líderes partidários pedindo a indicação dos nomes de deputados e senadores que vão compor a Comissão, que terá 16 senadores e 16 deputados.

mockup