A senadora Emília Fernandes (PTB-RS) entrega até amanhã à CPI dos Títulos Públicos o relatório com o rastreamento de todas as operações feitas com títulos emitidos nos dois últimos anos por Santa Catarina, Alagoas, Pernambuco, Osasco e Guarulhos. ‘‘Vamos descobrir quem ficou com o lucro do prejuízo do Bradesco e Banestado’’, afirmou ontem o senador Roberto Requião (PMDB), relator da CPI.
Segundo ele, o objetivo desse rastreamento é o de descobrir quais as corretoras que lucraram com o ‘‘passeio’’ dos títulos públicos pelo mercado financeiro. ‘‘Somente quem vendeu os R$ 274,6 milhões em títulos podres para a Banestado S/A Corretora lucrou, em questão de horas, de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões’’, diz o senador.
O rastreamento das operações de compra e venda dos títulos públicos está sendo feito através dos números de emissão dos papéis. Pelo menos seis instituições financeiras do Paraná, além da Banestado Corretora, operaram com os títulos de Alagoas e Santa Catarina e aparecem no relatório do Banco Central que está sendo analisado pela CPI.
Entre elas estão a Divalpar Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários, que negociou R$ 23.848.353,99 em títulos de Alagoas e Santa Catarina, a Itaipu Binacional, que realizou três operações no valor total de R$ 17.446.025,86, e a Omar Camargo Corretora de Câmbio e Valores, com R$ 6.315.626,83.
Segundo o proprietário de uma das corretoras apontadas na lista das operadoras dos títulos sob investigação, que não quer ser identificado neste momento, todas as grandes corretoras do Brasil operam com títulos públicos na formação de suas carteiras. ‘‘São papéis rentáveis e de boa aceitação no mercado. Os títulos públicos, por serem de longo prazo, rendem até 20% a mais que os privados’’, explicou. Requião contesta a versão de que as operações desses títulos foram vantajosas para a Banestado Corretora. ‘‘Entre os bancos estaduais, só quem fez esse ‘bom negócio’ foi o Banestado, que foi o comprador final de R$ 274,6 milhões e ficou com esse mico nas mãos’’, afirmou.

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