CPI quer saber como Silveirinha usou os US$ 50 milhões do BID
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domingo, 09 de fevereiro de 2003
Lucia Martins<br> Agência Estado 
Rio - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, que apura extorsão e remessa ilegal de US$ 33,4 milhões para o exterior por fiscais estaduais e auditores federais, vai incluir duas auditorias na investigação para checar como o ex-subsecretário de Administração Tributária Rodrigo Silveirinha Corrêa usou os US$ 50 milhões enviados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um projeto de modernização do fisco. Os deputados querem saber se esse dinheiro também acabou sendo desviado para contas dos fiscais na Suíça ou se desapareceu em algum outro esquema de corrupção.
O deputado estadual Carlos Minc (PT), um dos relatores da CPI, disse ontem que a comissão deverá propor hoje a instalação das duas novas auditorias: uma para tentar localizar a ''fuga'' do financiamento para o exterior e a outra para investigar o sistema de controle das contas estaduais, onde o dinheiro teria sido investido. Na época (entre 1997 e 1999), Silveirinha, que era fiscal de carreira, era o responsável pela administração do dinheiro do BID. ''Queremos saber se esse dinheiro também entrou na torneira de corrupção'', afirmou Minc.
O deputado petista afirmou ainda que, hoje, pretende ter uma conversa por telefone com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para discutir o caso. Minc pretende pedir ao ministro que envie um especialista do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o órgão da Receita Federal que apura operações de lavagem de dinheiro, para ajudar a CPI. O especialista atuaria na investigação de uma possível rede de empresas comandadas por auditores fiscais federais e seria destinada à lavagem de dinheiro. A rede já está sendo checada pela Corregedoria-Geral da Receita e envolveria os oito auditores afastados por suspeita de participação no esquema de Silveirinha.
A Receita Federal já identificou nove empresas no Rio que têm como sócios parentes dos auditores e estrangeiros. Os sócios estrangeiros têm contas bancárias nas Ilhas Virgens, Antilhas Holandesas e Liechtenstein. A CPI pretende entrar na mesma linha de investigação, mas Minc explica que ainda existe falta de pessoal qualificado para fazer a apuração. ''São assuntos muito complicados que exigem que a CPI conte com pessoas que entendam sobre isso.''


