CPI quer mais colaboração da PF e da Receita
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - Os desentendimentos da CPI dos Correios com a Polícia Federal e a Receita Federal não se resumem à movimentação financeira do publicitário Duda Mendonça no exterior. Os parlamentares também cobram o compartilhamento de informações a respeito do esquema montado pelo empresário Marcos Valério de Souza para abastecer o caixa dois do PT no país.
Na próxima quarta-feira haverá uma reunião reservada da CPI com integrantes dessas duas instituições. Uma das queixas a ser colocada na mesa é que a comissão forneceu à Receita dados provenientes das quebras de sigilo bancário dos investigados e colaborou com o trabalho da PF, mas a colaboração não seria recíproca. ''Temos que afinar a viola. Disponibilizamos uma série de coisas para a Receita e para a Polícia Federal, mas há um descolamento desses órgãos em relação à CPI. Até agora foi uma relação de mão única'', disse o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), adiantando o tom da reunião da próxima quarta.
Apesar de estes dois órgãos sempre alegarem que colaboram com os trabalhos da CPI, inclusive disponibilizando técnicos, alguns parlamentares alegam existir resistência em fornecer informações à CPI. Isso ocorreria por causa de vazamentos dos documentos pelos parlamentares, o que prejudicaria as investigações. Esse também seria o motivo da Promotoria Distrital de Nova York ter fornecido dados da movimentação financeira de Duda com a ressalva de que esse material não deveria ser compartilhado com o Congresso brasileiro. Essa é a versão dada pela delegação da PF que foi à Nova York, mas a história contada pelos integrantes da CPI é outra. Segundo eles, o Departamento de
Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça é que teria pedido à promotoria a imposição dessa regra.
A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça disse que essas declarações dos membros da CPI refletem falta de conhecimento dos acordos internacionais. Ao contrário, a assessoria diz que o departamento está trabalhando para que a Promotoria Distrital de Nova York autorize o repasse das informações à CPI.


