CPI quer investigar ligação de ex-chefe com Beira-Mar
CPI quer investigar ligação de ex-chefe com Beira-Mar Arquivo FolhaPROCURA-SENoronha: advogado diz que não sabe onde ele está, mas que ex-delegado se apresentará quando for mais conveniente Eliane Azevedo Agência Estado Do Rio de Janeiro A deputada federal Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI do Narcotráfico, vai encaminhar hoje à juíza da 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias, Therezinha Avellar, uma cópia do relatório do Serviço Secreto da Polícia Militar do Paraná, do qual consta o depoimento de uma testemunha cuja identidade é mantida em sigilo que liga o ex-delegado-geral da Polícia Civil paranaense, João Ricardo Képes Noronha, ao traficante carioca Fernandinho Beira-Mar. Vamos sugerir à juíza que ouça essa testemunha dentro do inquérito sobre Beira-Mar, disse Laura. A CPI recebeu o documento na semana passada, durante as sessões realizadas no Paraná. A testemunha foi ouvida pela Promotoria de Investigação Criminal do Ministério Público Estadual e, segundo ela, Noronha foi pago por Beira-Mar para não informar sobre o seu paradeiro. No depoimento, a pessoa diz que o traficante está escondido na Fazenda Santo Antonio, na fronteira do Brasil com o Paraguai, através do Paraná. A propriedade seria do general paraguaio Lino Oviedo, acusado do assassinato do vice-presidente de seu país, Luís Maria Argaña, no início do ano passado, e líder de uma frustrada tentativa de golpe de Estado em 1996. Oviedo estava refugiado na Argentina, mas desde dezembro não se sabe onde se encontra. Segundo Laura, o depoimento da testemunha é rico em informações sobre a atuação de Noronha, Beira-Mar e Oviedo. O delegado paranaense teria estabelecido contato com o traficante e o general quando dirigia a delegacia de Foz do Iguaçu (PR). Noronha receberia uma comissão para providenciar placas frias de automóveis e caminhões usados pelo traficante. Hoje, os deputados da comissão vão procurar a Polícia Federal para saber se já existia alguma investigação sobre os fatos narrados pela testemunha. A deputada, no entanto, não sabe se a CPI terá tempo de ouvir a pessoa. É melhor que ela seja interrogada já pela Justiça, porque estamos com outras audiências marcadas e, na semana que vem, estaremos no Mato Grosso do Sul, disse Laura. Ela julgou o relato forte, mas acha que será preciso aprofundar as investigações sobre as possíveis ligações entre Noronha, o traficante carioca e Oviedo. Precisamos juntar as pontas e só o inquérito sobre o Beira-Mar tem 12 volumes, disse.





