CPI quer exumar corpo de ex-diretor do Banestado
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A CPI do Banestado da Assembléia Legislativa vai encaminhar à Justiça pedido para exumação do corpo de Osvaldo Magalhães dos Santos, ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Esporte e Turismo do governo Jaime Lerner (PFL). Ele morreu em 7 de setembro de 1998, aos 38 anos, em um acidente de carro em que ficou desfigurado. O nome dele é ligado a diversas operações irregulares da Banestado Leasing. Alguns deputados e depoentes da CPI suspeitam que Osvaldo Magalhães possa ter forjado a própria morte e ainda estaria vivo.
O encaminhamento foi aprovado ontem pela CPI por quatro votos a dois. O pedido de exumação causou grande alvoroço e tumulto na Assembléia (leia box). A votação foi feita durante depoimento de ex-diretores do Banestado Leasing, ontem de manhã. O relator da CPI, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), colocou o pedido de exumação em votação. ''Foram os depoentes que comentaram essa possibilidade e, por isso, a CPI tem o dever de realizar a investigação'', afirmou.
Osvaldo Magalhães foi acusado pelo Ministério Público de ser responsável por um rombo de cerca de R$ 400 milhões (valores que poderiam chegar a R$ 600 milhões) quando era diretor-presidente da Banestado Leasing, entre 1995 e 1996. Ele teria concedido empréstimos sem garantia e prejudicado a saúde financeira do Banestado.
Depois de deixar a Banestado Leasing em 1996, Osvaldo Magalhães assumiu a Secretaria de Estado de Esporte e Turismo, cargo que ocupou até sua morte. Enquanto era secretário, conviveu com as denúncias. Na época, a morte dele causou suspeita porque o corpo dele ficou irreconhecível. Políticos de oposição a Lerner afirmavam que ele teria sumido porque tinha conhecimento de todas as operações do Banestado Leasing. O acidente ocorreu na BR-277, em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Ele dirigia um veículo Ômega que colidiu com um caminhão. O corpo dele está enterrado no cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba.
Segundo Bradock, a CPI ainda vai buscar informações sobre a morte de Osvaldo Magalhães para embasar a solicitação judicial. O promotor de Justiça, Rodrigo Chemin Guimarães, que na época investigava a Banestado Leasing, confirmou que havia muitos boatos sobre a veracidade da morte do ex-secretário. ''Não levamos o pedido de exumação para frente porque não havia fatos que justificassem'', informou. O atual promotor do caso, Antônio Carlos Choinski, disse que há algumas semanas recebeu a visita de um homem que iria informar o real paradeiro de Osvaldinho, como era conhecido. ''Não pude levar isso a sério porque ele pediu R$ 30 mil em troca'', relatou. A reportagem deixou recado no escritório do pai de Osvaldo Magalhães, Joaquim dos Santos Filho, ex-deputado federal, mas ele não retornou.
Na semana passada, cinco pessoas foram condenadas pela Justiça Federal de Curitiba por gestão fraudulenta da Banestado Leasing: Carlos Antonio Almeida Ferreira (presidente do Banestado na ocasião), Adelino Ramos (vice-presidente do Banestado), Wilson Mugnaini (diretor da Banestado Leasing), Luiz Antonio Eugênio de Lima (gerente de desenvolvimento de negócios de leasing) e Milton Luiz Cleve Kuster (advogado). Há duas ações civis tramitando na Justiça Estadual e outras criminais na Justiça Federal.


