CPI quer desmontar versão de Valério
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domingo, 17 de julho de 2005
Expedito Filho<br> Agência Estado 
Brasília - O líder do PT no Senado e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, Delcídio Amaral (MS), decidiu convocar, novamente, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para prestar depoimento, na quinta-feira. Amaral afirmou não acreditar na versão apresentada por Valério e repetida pelo ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento do partido Delúbio Soares para justificar as operações suspeitas envolvendo a legenda e o empresário.
Pela versão de Valério e Delúbio, apelidada pelos integrantes da CPI como Operação Paraguai por lembrar a Operação Uruguai do governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello e ser falsa, R$ 40 milhões teriam sido captados junto ao sistema financeiro pelas empresas de Valério e emprestados para a sigla numa espécie de contrato de boca. O dinheiro seria usado para financiar campanhas da agremiação em caixa 2, mas não haveria pagamento de ''mensalão''.
O líder do PT no Senado informou que combinou a nova convocação do empresário, ontem, com o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Apesar de duvidarem da versão de Valério e Delúbio, Amaral e Serraglio avaliam que o empresário tentará manter a história diante dos integrantes da CPI. O líder do PT e o relator da CPI dos Correios afirmam acreditar, porém, que, pressionados pelas perguntas dos parlamentares, Valério e Delúbio, que deporá na quarta-feira, poderão cair em contradições.
Se isso ocorrer, pessoas ligadas ao empresário admitem que ele poderá desistir de apresentar versões e, finalmente, contar toda a história. O recado foi levado à cúpula de partidos, entre eles, as Direções Nacional do PT e Regional do PSDB de Minas Gerais, com quem Valério manteve relações políticas e comerciais.
Para desmontar a chamada Operação Paraguai e derrubar a versão do empresário e do ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT, parlamentares de oposição acham que é necessário seguir a origem e o destino do dinheiro envolvido nas ações.
Na prática, os integrantes da CPI dizem que, na nova versão, o ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento e o empresário continuaram omitindo, por exemplo, as operações que demonstravam toda a influência do empresário nas estatais e órgãos da administração federal, como Casa da Moeda e Banco Central (BC). Também não falou dos contatos que intermediou para integrantes da direção do PT, como Delúbio e o ex-presidente nacional do partido José Genoino com empresas privadas, como a Usiminas. Além disso, nem Delúbio, nem Valério assumiram, publicamente, a existência do esquema do chamado ''mensalão'', mesada que seria paga pelo PT para que parlamentares da base aliada votassem a favor de projetos do interesse do governo.
Integrantes da CPI também querem checar a veracidade da informação que o empresário teria dito a interlocutores próximos que possui cem pastas com detalhes de operações feitas com políticos e respectivos partidos.


