Brasília - A CPI dos Cartões Corporativos vai se reunir na próxima terça-feira para colocar em votação os requerimentos de convocação do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, e do assessor do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes. Aparecido é apontado como vazador do dossiê elaborado no Palácio do Planalto com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, enquanto Fernandes teria trocado e-mails com o secretário para receber o dossiê.
A presidente da CPI dos Cartões, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), disse que vai encaminhar aos integrantes da comissão a convocação para a reunião de terça-feira - quando serão votados os requerimentos. Serrano não quis adiantar se pretende também colocar em votação requerimento de convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para explicar o dossiê à CPI. A senadora reconheceu, porém, que a versão apresentada por Dilma ao Senado esta semana de que não houve dossiê acabou derrubada após a revelação do envolvimento de Aparecido.
''A ministra disse que não havia dossiê e agora temos até a pessoa responsável, que não é da oposição, e sim da situação. Agora não tem mais como a ministra dizer que não houve dossiê'', afirmou.
O deputado Vic Pires (DEM-PA) prometeu apresentar na semana que vem novo requerimento para convocação de Dilma na CPI. Já o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) também disse que vai apresentar outro requerimento de convocação da ministra para que ela fale ''exclusivamente sobre o dossiê'' na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Para o senador João Pedro (PT-AM), Dilma não ''agiu de má fé'' ao negar a existência do dossiê durante depoimento no Senado. ''A ministra não mentiu, é má fé da oposição. Desde 2005 o Senado sabia da existência do banco de dados'', afirmou.
Vazamento
Reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo afirma que a Polícia Federal (PF) e a sindicância interna da Casa Civil identificaram Aparecido como o vazador do dossiê elaborado no Palácio do Planalto com gastos do ex-presidente FHC. As investigações detectaram troca de e-mails entre José Aparecido e o assessor do senador Alvaro Dias. Aparecido foi o único dos cinco secretários e diretores da Casa Civil a ter o computador apreendido pela sindicância aberta por Dilma Rousseff.
Os e-mails entre Aparecido e Fernandes - consultor concursado do Senado, lotado na segunda vice-presidência (cujo titular é A Alvaro Dias) - trazem conversas de natureza pessoal. Não fazem menção ao dossiê e ao levantamento das contas do governo tucano.
Mas, segundo a Folha de S.Paulo apurou, a PF e a sindicância interna têm provas de que foi anexada a uma dessas mensagens, datada de 20 de fevereiro, a planilha em Excel de 27 páginas com gastos de FHC, Ruth Cardoso e ex-ministros. A planilha registrava uma semana do trabalho de levantamento de dados do governo tucano, iniciado em 11 de fevereiro.

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