CPI quer acareação entre empresários
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terça-feira, 20 de maio de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A CPI da Copel quer colocar os empresários Walfrido Ávila e Fábio Ramos frente a frente. A acareação, deliberada ontem, ainda não tem data marcada, mas tem por objetivo ver quem está falando a verdade. Os depoimentos dos dois, prestados aos deputados, foram classificados como contraditórios. Ávila é diretor-presidente da Tradener, empresa criada para comercializar a energia excedente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) para outros estados brasileiros. Ramos, ex-funcionário da Copel e representante da Logos Engenharia, sócia minoritária da Tradener, junto à Associação dos Distribuidores Nacionais de Energia (Abine).
Na semana passada, Ávila declarou que a Copel foi obrigada a criar uma empresa para a comercialização da energia por força jurídica. Enquanto Ramos, um dos idealizadores da Tradener, admitiu que a estatal poderia comercializar sua própria energia com outros estados sem depender de uma intermediária. A mesma afirmação já havia sido feita pela engenheira Carla Rosângela de Oliveira, funcionária da Copel, em depoimento na CPI. Carla Rosângela, inclusive, deixou claro que a Copel deixa de ganhar dinheiro por conta desta intermediação da Tradener.
Outra contradição apontada pelos parlamentares, para justificar a acareação, foi o fato de Ávila ter afirmado que a Tradener foi que iniciou as conversações com a Volkswagen para a comercialização de energia excedente em novembro de 1999. Já Ramos disse que foi a própria Copel que realizou todas as negociações e efetivou o contrato com a montadora. A Tradener acompanhou algumas reuniões técnicas e recebeu a comissão pela venda de energia.
''Recebemos a comissão porque detínhamos ainda a exclusividade na venda da energia excedente da Copel'', justificou Ramos. A comissão era de 2% nos contratos simples. Este valor era acrescido de gratificações, conforme o ágio que a Tradener conseguisse na venda da energia. Cálculos da CPI revelaram que a comissão média recebida pela empresa foi de 4,86%. Até o final de 2002, a comercializadora recebeu mais de R$ 13,8 milhões dos cofres públicos.


