Gilse Guedes
Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico na Câmara aprovou ontem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o ‘‘Zé Alex’’, que tomou posse na semana passada na vaga do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), e vai ouvi-lo hoje. Zé Alex é acusado de envolvimento com o grupo de Pascoal e está sendo investigado por tráfico de drogas e desvio de recursos públicos.
Ontem, a Câmara recebeu cerca de 500 páginas de denúncias contra Zé Alex. Hoje, o relator da comissão, Moroni Torgan (PFL-CE), vai remeter ao Banco Central (BC) e à Receita Federal requerimentos para que sejam encaminhadas as informações sigilosas à CPI. Segundo ele, será dado um prazo de 15 dias para que os dados sejam enviados à CPI.
Torgan acredita que o deputado poderá entrar com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando ter imunidade parlamentar, de forma a tornar sem eficácia a decisão da comissão. Ele acredita que, se o parlamentar entrar com recurso, ficará claro que tem algo a esconder.
O corregedor-geral da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PPB-PE), acolheu ontem uma decisão da Mesa Diretora que favorece Zé Alex. Ele decidiu acatar uma medida da Mesa que define que a Câmara não poderá cassar parlamentares por crimes praticados antes do mandato.
Segundo a decisão, é de responsabilidade da Justiça julgar deputados nesses casos. Ele explicou que, no caso de Pascoal, houve a cassação porque ele confirmou crimes em depoimento à CPI do Narcotráfico. Cavalcanti informou que o STF vai encaminhar à Câmara pedido de licença para processar Zé Alex, com base nas denúncias feitas pelo MP do Acre.
A CPI vai ouvir hoje o traficante Jorge Meres de Almeida para que confirme as acusações sobre a ligação entre Pascoal, que teve o mandato cassado na semana passada pela Casa, e o deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão do empresário Paulo César Farias, num grande esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e venda ilegal de armas.
Torgan disse que o depoimento do traficante, que foi preso no Maranhão por roubo de carga e prestou depoimento ao Ministério Público (MP) do Estado, vai ‘‘abalar o País’’, em razão das informações que comprometem Augusto Farias e Pascoal, que ocupa um cela no 3º Batalhão de Operações Especiais (Bope), desde a semana passada.
Segundo o depoimento do traficante, Pascoal fornecia armas e drogas para que fossem distribuídas no Maranhão e em Alagoas. Ele aponta que há um grupo interligado envolvendo ainda o deputado estadual José Gerardo (PTB-MA).

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