Brasília - A CPI dos Correios aprovou ontem a quebra de sigilo das movimentações financeiras e aplicações de três dos maiores fundos de pensão do país - Funcef, Petros e Geap - no Banco Rural e no BMG. A medida deveria ser estendida, em nova votação ainda ontem, para outras oito entidades de previdência. A quebra abrange os últimos cinco anos.
O Banco Rural e o BMG teriam emprestado R$ 55 milhões para o publicitário Marcos Valério de Souza, que foram repassados para o PT. A oposição desconfia que esses recursos podem ter saído dos fundos de pensão e de contratos públicos superfaturados. Os bancos, por sua vez, teriam simulado os empréstimos, o que é negado pelas instituições.
Ontem, a direção executiva da Geap (Fundação de Seguridade Social) divulgou uma nota dizendo que a entidade ''não tem aplicações financeiras no Banco Rural e no Banco BMG desde 1999''. A Geap é o fundo de previdência - entidade que garante pagamento de aposentadoria complementar - de servidores federais. A Funcef é dos funcionários da Caixa Econômica Federal e a Petros, da Petrobras.
Na sessão de ontem da CPI também foi aprovada a convocação do doleiro Dário Messer, que operaria para o PT, segundo o doleiro Antonio Claramunt, o Toninho da Barcelona; do funcionário da casa de câmbio Barcelona Tour, Marcelo Viana; e da cambista Nelma Cunha, da Havaí Câmbio e Turismo, de Santo André (SP).
A base aliada derrubou requerimento de preferência para votar a convocação de Toninho. O pedido foi para o final da fila e não foi apreciado. Sem apresentar provas, o doleiro, que está preso em São Paulo, tem dado detalhes de um suposto esquema de remessa ilegal de recursos para o exterior pelo PT.
Toninho afirmou em entrevista à revista ''Veja'' que durante a campanha de 2002 o PT trocava quase diariamente quantias que variavam entre US$ 30 mil e US$ 50 mil. Viana era o responsável pelas operações de balcão da Barcelona e a troca do dinheiro seria feita pelo gabinete do então vereador de São Paulo Devanir Ribeiro (PT), hoje deputado federal. O petista nega.
A base de sustentação do governo postergou a votação dos requerimentos que pediam a convocação de Devanir e de seu filho, Marcos Lustosa, que era assessor legislativo da Câmara de Vereadores e participaria do esquema, segundo Toninho. Contrariados com a falta de colaboração dos fundos de pensão com a CPI, a base governista deixou a alegada preocupação com a estabilidade econômica e votou, junto com a oposição, a favor da quebra de sigilo das três entidades de previdência.
Além de concluir a votação de requerimentos, os integrantes da CPI definem hoje a agenda para o próximo mês. A proposta da oposição é ouvir na próxima semana os proprietários da corretora Bônus-Banval e da empresa Guaranhuns, que repassariam recursos das empresas de Marcos Valério para o PT e o PL respectivamente. Na próxima seria ouvido Toninho, depois o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e o banqueiro Daniel Dantas. Na última seria a vez do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil).
Já os governistas propõem que na próxima semana sejam ouvidos o ex-diretor de Operações dos Correios Maurício Madureira, o ex-funcionário da estatal Maurício Marinho e o ex-presidente Hassan Gebrin. A CPI escolheu ontem seu novo vice-presidente, o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). Ele substituirá o senador Maguito Vilela (PMDB-GO) que se licenciou.

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