CPI quebra sigilo de deputado do PR
Leandro Donatti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico do líder da bancada do PSDB na Assembléia Legislativa, deputado Antônio Carlos Baratter (PSDB), apontado como um dos envolvidos num esquema de lavagem de dinheiro no Paraná. A informação foi confirmada ontem no início da noite pelo deputado federal do Paraná e suplente da CPI que investiga a rota da droga no País, Padre Roque Zimmermann (PT).
Padre Roque disse que a devassa bancária, fiscal e telefônica de Baratter foi feita na semana passada e que a CPI ainda não tem um relatório conclusivo do material coletado. Leva algum tempo para cruzarmos os dados e analisarmos as informações, assinalou Padre Roque. O deputado não quis manifestar ou antecipar qualquer tipo de opinião sobre as suspeitas que recaem sobre Baratter.
Suplente de deputado está na vaga do secretário de Defesa do Consumidor Sérgio Spada Antônio Baratter apareceu no rol da CPI no início da semana, quando a Comissão começou a rastrear a lavagem de dinheiro feita através de contas CC-5. O parlamentar e o irmão Mauro Baratter são acusados de movimentar cerca de R$ 30 milhões em nome de laranjas.
As movimentações foram feitas em 1994, quando a família Baratter comandava a pleno vapor a casa de câmbio Cash Câmbio e Turismo, em Cascavel, no Oeste do Estado. Para sustentar o pedido de quebra de sigilo e aprofundar as investigações, a CPI do Narcotráfico se valeu de uma ação instaurada pelo Ministério Público Federal contra o deputado e que atualmente corre na Justiça Federal.
O procurador da República em Cascavel, Celso Três, reuniu indícios sinalizando as operações de lavagem e o uso de laranjas nas transações. Em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ontem, o procurador confirmou que os irmãos Baratter contrataram para a casa de câmbio da família Romildo José Machado, que já atuava como laranja de outros cambistas em Foz do Iguaçu.
A Folha tentou contato com Baratter ontem, para ouvir a versão do deputado sobre a quebra do seu sigilo, mas não foi possível encontrá-lo. Sua assessoria informou que ele estava em Cascavel. Mas nenhum dos telefones fornecidos atendeu. Na última segunda-feira, o deputado disse, durante sessão na Assembléia, não estar preocupado com as suspeitas de seu envolvimento. À Folha, afirmou, na segunda-feira, que a denúncia contra ele, oferecida por Celso Três, não o preocupa. A gente vive muito pouco para esquentar a cabeça, disse.
O presidente estadual do PSDB, senador Alvaro Dias, disse ontem que Baratter deve se licenciar da Assembléia para esclarecer as acusações. Ele tem a nossa solidariedade, mas tem de se explicar. Eu não tenho prazer nenhum em ficar falando isso, mas o Baratter deve também entregar a liderança da bancada, cargo que lhe foi confiado, emendou o senador.
Na avaliação de Alvaro Dias, não fica bem o deputado Antônio Baratter permanecer na Assembléia até que as suspeitas da CPI do Narcotráfico, contra ele, estejam completamente dissipadas. Quando comprovar a sua inocência, pode voltar a ocupar a cadeira de Sérgio Spada, sem problema nenhum. Mas nesse instante, acho que ele deve se afastar, reforçou o dirigente tucano.
Além de políticos, as investigações sobre o narcotráfico no Paraná, de acordo com Padre Roque, vão incluir ligações de grupos de policiais e empresários com o crime organizado. O deputado garante que a CPI já tem um grande volume de informações que compromete gente ligada à Polícia Civil e Militar. Ainda não podemos apontar nomes. Eles estão sob investigação e a CPI quer evitar qualquer tipo de execração pública de suspeitos, diz.
De acordo com o deputado, as mesmas estruturas e vinculações do crime organizado encontradas em outros Estados brasileiros também existem no Paraná, desde a ponta do pequeno tráfico até os grandes esquemas de operações de dinheiro sujo no mercado financeiro. (Colaborou Paulo San Martin)Antônio Carlos Baratter, líder do PSDB na Assembléia, é acusado de movimentar cerca de R$ 30 milhões em nome de laranjas
Carlos Mini Rodrigues/Gazeta do ParanáNA MIRABaratter: remessas para o exterior foram feitas em 1994, quando sua família comandava casa de câmbio em Cascavel





