Gilse Guedes
Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico na Câmara aprovou ontem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão do empresário Paulo César Farias, por causa das acusações feitas pelo traficante e caminhoneiro Jorge Meres de que o parlamentar teria participação numa quadrilha de tráfico de drogas e armas. Augusto negou que tenha envolvimento com o grupo, que seria integrado ainda pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), cassado pela Câmara. Ele disse que renuncia, caso seja comprovada a ligação com o esquema do ex-parlamentar.
‘‘Se alguém provar que eu estive no Maranhão, Acre, ou qualquer dos Estados citados por Meres, e que tenho ligação com Hildebrando, não precisarão abrir um processo de cassação do meu mandato porque eu mesmo terei a personalidade de renunciar’’, disse Augusto.
Augusto afirmou que não conhece o advogado William Marques, apontado por Meres como um dos integrantes da quadrilha, e negou que tenha participado de reuniões em hotéis em São Paulo com Pascoal. ‘‘Um bandido que faz uma acusação dessas, ou é maluco ou está cumprindo ordens de alguém’’, declarou.
O traficante, que acusou o grupo de assassinar oito pessoas, entre elas o delegado Stênio Mendonça, que investigava o esquema, deu as declarações em depoimento à CPI do Narcotráfico na Câmara. Augusto Farias deve ser ouvido na próxima semana pela CPI.
Meres disse à CPI que o grupo de Augusto Farias e Pascoal tem conexões em vários Estados, entre os quais Alagoas, São Paulo, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins e Acre, e envolve policiais e juízes. Segundo ele, a quadrilha roubava caminhões nos Estados e vendia-os na Bolívia em troca de armas e drogas. De 1994 a 1996, foram roubados 46 carretas Scania e 4 Volvos, além de cargas com remédios e cigarros. Cada carreta era vendida em troca de armas e drogas por R$ 38 mil, remédios e cigarros por R$ 400 mil a R$ 600 mil.
Para conseguir transportar o material roubado, as drogas e armas, a quadrilha ‘‘pagava’’ em torno de US$ 2,5 mil para policiais nas fronteiras e conseguia cartas de juízes do Maranhão, identificados por José Arimatéia e José Ribamar, para, segundo ele, regularizar as cargas.

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