Leandro Donatti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico, que mapeia a rota da droga no País, promete endurecer as investigações contra os suspeitos no Paraná que tentarem obstruir o trabalho quando a comissão estiver em Curitiba, nos próximos dias 29 de fevereiro e 1º de março. O recado, em tom de ameaça, foi repassado ontem pelo deputado federal Roque Zimmermann (PT), o Padre Roque, o único parlamentar paranaense na CPI. O deputado disse que diversos suspeitos estão se antecipando à comissão e solicitando à Justiça habeas-corpus preventivo para se protegerem de eventuais pedidos de prisão ou de quaisquer outras ações da CPI.
‘‘É sinal que já estão se defendendo. Estão confirmando as nossas suspeitas. Pedir habeas-corpus preventivo é prova de que há comprometimento e culpa. Está caindo a máscara da droga no Paraná. Mas o aviso é claro: a CPI vai com uma gana especial em cima destes que tentam obstruir as investigações’’, declarou Padre Roque, que está sendo municiado por uma rede de informantes. O deputado disse que a tomada de depoimento de duas testemunhas, anteontem em Brasília, despertou uma inquietação entre os envolvidos no Paraná.
Segundo as testemunhas ouvidas, deputados, juízes, policiais e empresários do Paraná poderiam estar dando suporte ao narcotráfico no Estado. A CPI tenta encontrar um elo que ligue paranaenses à quadrilha do deputado federal cassado Hildebrando Pascoal e do empresário William Sozza. ‘‘Não está totalmente caracterizada esta relação. Teremos de caminhar muito para comprovarmos isso’’, observou o deputado.
Os indícios, entretanto, parecem ser tão fortes que a CPI decidiu alterar a sua data de visita ao Paraná. Inicialmente, estava programada a vinda de cinco deputados federais da comissão para Curitiba, nos dias 24 e 25 de fevereiro. A alteração para o final de fevereiro, início de março, tem por objetivo transferir completamente a CPI para o Estado. ‘‘O presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), está estudando o calendário. A probabilidade é grande’’, observou Padre Roque. O deputado petista assegurou que mais nenhuma testemunha será ouvida até o desembarque da CPI em Curitiba. Além das duas testemunhas, que para se protegerem prestaram depoimento com o rosto vendado, a CPI ouviu o delegado Adauto de Oliveira, da Força Especial de Repressão Antitóxicos, o grupo Fera.
Padre Roque disse que aguarda para a semana que vem um dossiê que está sendo preparado pela Polícia Rodoviária Federal, contendo um levantamento sobre todas as apreensões feitas no Estado. ‘‘O relatório vem acompanhado com informações sobre o andamento dos processos. O policial que mais faz apreensões no Paraná me assegura que a droga está sendo transportada em malas por crianças, mulheres e famílias humildes que recebem um quantia xis para carregarem as malas’’, revelou. Padre Roque disse ainda ter informações de que em todo o Paraná corre solto, sem controle algum, o tráfico de haxixe em grandes lotes.Testemunhas confirmam envolvimento de autoridades e empresários do Estado, que serão investigados pela Comissão
Arquivo FolhaRECADO CLAROPadre Roque: ‘‘A CPI vai com gana em cima dos que obstruem as investigações. Está caindo a máscara da droga no Paranᒒ.

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